Fatia dos que se declararam endividados ficou em 81,6%, e entre eles, a proporção dos que admitiram dívidas em atraso ficou em 29,9% Os patamares de endividamento e de inadimplência entre famílias brasileiras estabilizaram em junho, informou nesta terça-feira (14) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Hoje, a organização veiculou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) referente ao mês passado. No estudo, a fatia dos que se declararam endividados ficou em 81,6%, mesmo patamar observado em maio. E, entre os endividados, a proporção dos que admitiram dívidas em atraso ficou em 29,9% na passagem entre maio e junho. O percentual médio de comprometimento da renda mensal com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3% de maio para junho. Os primeiros 60 dias de vigência do Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas, pode ter influenciado o resultado, afirmou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. No entanto, mesmo com a estabilidade nos dois indicadores em junho, no caso dos endividados essa fatia continuou sendo recorde na série da pesquisa, iniciada em 2010. Além disso, ainda é maior do que a de junho do ano passado (78,4%). No caso de inadimplentes, a proporção de junho desse ano também foi superior à de igual mês no ano passado (29,5%). A fatia de endividados inadimplentes que informaram não ter condição de quitar seus débitos ficou em 12,2% em junho, informou ainda a CNC. No estudo, essa parcela foi menor do que a de maio (12,3%) e inferior à de junho do ano passado (12,5%). Para a CNC, o cenário em junho delineado pela pesquisa indica composição mais favorável do endividamento, sustentada por menor comprometimento da renda e pela ampliação de prazos. Os técnicos da confederação informaram também que, na Peic, o percentual de famílias que se declararam "pouco endividadas" teve avanço expressivo, chegando a 34,2% em junho, ante 33,3% em maio. Por sua vez, a parcela dos que se consideram "muito endividadas" subiu pouco, de 17% para 17,2%, de maio para junho. Bentes reiterou que os resultados mensais menos adversos coincidem com primeiros 60 dias de validade do Desenrola 2.0. Contudo, no entendimento do especialista, mesmo com quadro mais positivo em junho em endividamento e em inadimplência, é preciso acompanhar se efeitos práticos e robustos deverão ser sentidos de forma mais expressiva ao longo dos próximos meses. Mesmo com efeito do programa, a CNC projeta aumento nas parcelas de famílias endividadas e de inadimplentes. A projeção é que a proporção de endividados atinja 82,1% em setembro desse ano e que a de inadimplentes suba para 30,1% no mesmo mês. Para essas projeções, a CNC leva em conta o ainda elevado patamar da taxa Selic, que norteia juros de mercado, atualmente 14,25% ao ano. Uma taxa nesse nível normalmente torna dívidas mais caras ao tomador. E sobre possibilidades de cortes na Selic até fim do ano, a confederação entende que o Conselho de Política Monetária do Banco Central (BC) precisa levar em conta incertezas sobre o preço do petróleo e demais fatores macroeconômicos, que podem elevar inflação, para mensurar possível trajetória de redução na taxa. Aumentos na Selic são usados pelo BC como estratégia para conter possíveis avanços inflacionários, visto que uma taxa alta ajuda a inibir consumo, principalmente movido a crédito. — Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil