O governo acelerou o pagamento de emendas parlamentares no primeiro semestre de 2026, algo que costuma se repetir em anos de eleição, afirma a IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, em um relatório publicado nesta quinta-feira (20).

A antecipação está prevista na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) deste ano. Foi determinado que 65% do valor destinado a emendas, tanto as individuais de deputados e senadores como as de bancadas estaduais, deveriam ser pagos até o fim de junho. Segundo a IFI, essa execução concentrada no início do ano é típica de anos eleitorais.

A antecipação do pagamento das emendas parlamentares tornou a política fiscal expansionista, diz a IFI. Trata-se de uma mudança de rota, porque, pelos mesmos critérios, em 2025 a política fiscal foi contracionista.

Esses desembolsos concentrados explicam em parte a piora das contas públicas neste ano. Além disso, os pagamentos das emendas podem aumentar o volume de restos a pagar, compromissos que o governo assumiu em exercícios anteriores, mas ainda não quitou de fato.

A soma de restos a pagar de despesas discricionárias (não obrigatórias) e emendas é de R$ 105,5 bilhões.