Enquanto os bancos anunciam lucros bilionários trimestre após trimestre, um outro número cresce silenciosamente, o de bairros e cidades que perderam o direito a uma agência bancária. Entre dezembro de 2019 e junho de 2026, o estado do Rio de Janeiro perdeu 854 agências, uma redução de 47%. Só no município do Rio, foram 532 agências fechadas, queda de 52%. Por trás dessas estatísticas frias, há gente sem acesso ao direito básico de ser atendido.

Vinte e nove bairros do município do Rio de Janeiro ficaram, neste período, sem nenhuma agência bancária. Ao todo, cerca de 703 mil pessoas passaram a não contar mais com atendimento presencial perto de casa. Desse total, 150 mil têm 60 anos ou mais, justamente a faixa da população que mais recorre ao caixa, que mais tem dificuldade com aplicativos e senhas digitais, ou seja, que mais precisa de alguém do outro lado do balcão para tirar uma dúvida ou resolver um problema.

O interior também paga essa conta e, às vezes, de forma ainda mais dura. Lage do Muriaé, no noroeste fluminense, tinha 7.336 habitantes e duas agências bancárias em 2019. Hoje não tem nenhuma. Quem precisa de atendimento presencial para pagar um boleto, resolver um problema de conta, buscar orientação sobre um empréstimo, por exemplo, precisa se deslocar mais 25 quilômetros para uma agência em outra cidade. Não é exagero dizer que, para boa parte dessa população, o banco simplesmente deixou de existir.