Situação dos marinheiros embarcados há mais de oito meses provocou críticas internas nos Estados Unidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 USS George Washington em sua última visita ao Brasil, em 2015 — Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo O Exército americano anunciou, nesta quinta-feira, a chegada de um novo porta-aviões ao Oriente Médio em substituição ao USS Abraham Lincoln, cuja permanência por vários meses no mar despertou preocupações sobre sua tripulação. O USS George Washington está operando "no Oriente Médio como parte do deslocamento previsto, após ter chegado ontem (quarta-feira) à área de operações do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom)", informou o Centcom para o Oriente Médio no X. Há vários dias, parlamentares e parentes vêm alertando as autoridades militares para a situação, em particular a escassez de alimentos. Algumas famílias relataram graves problemas de saúde mental e tentativas de suicídio a bordo. O presidente americano, Donald Trump, minimizou essas preocupações na semana passada, mas confirmou a substituição pelo "USS George Washington". O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, considerou que a situação havia sido "distorcida". O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego, Califórnia, em 21 de novembro de 2025, para uma missão no Mar da China Meridional e foi redirecionado para o Oriente Médio antes de Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro deste ano. Começo dos problemas Os problemas de abastecimento do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln começaram logo após o primeiro dia da guerra no Oriente Médio, quando mísseis e drones iranianos atingiram uma base da Marinha dos Estados Unidos no Bahrein. A ofensiva, lançada em retaliação aos bombardeios americanos e israelenses contra Teerã, destruiu grande parte da instalação. Com ela, também foi perdido um centro logístico do qual a Marinha americana dependia havia décadas. Sem essa estrutura, eles precisaram improvisar uma alternativa para manter o abastecimento dos cerca de 5 mil marinheiros que trabalhavam sem interrupção para manter os aviões de guerra em operação nas missões de ataque e, depois, sustentar o bloqueio aos portos iranianos. A perda da base no Bahrein agravou uma série de dificuldades relatadas a bordo dos porta-aviões que participam da campanha contra o Irã, enquanto senadores democratas passaram a questionar as condições enfrentadas pela tripulação do Lincoln após quase nove meses de deslocamento. Diante da ameaça de novos ataques contra outros portos da região, o Pentágono transferiu a operação logística para a base militar de Diego Garcia, administrada pelo Reino Unido. A ilha, localizada ao sul das Maldivas, fica a cerca de 3,5 mil quilômetros da área onde dois grupos de ataque de porta-aviões operam no Golfo de Omã. No início da guerra, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, chegou a negar ao Pentágono o uso de Diego Garcia na operação contra o Irã. A decisão irritou Donald Trump, e Starmer acabou voltando atrás em 1º de março, ao autorizar o acesso americano à ilha para o que classificou como um "objetivo defensivo específico e limitado". Segundo um funcionário das Forças Armadas dos EUA, ouvido sob condição de anonimato, a Marinha passou a usar Diego Garcia como seu principal centro de distribuição de suprimentos logo após os danos sofridos pela base no Bahrein.