Longa missão pode afetar saúde mental da tripulação e despertou a atenção da bancada democrata em Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Convés do porta-aviões americano Abraham Lincoln, atualmente operando próximo ao Estreito de Ormuz — Foto: Marinha dos EUA/REUTERS Uma autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato, disse que o porta-aviões George Washington está se dirigindo ao Oriente Médio para substituir o porta-aviões Abraham Lincoln, em movimentação que, segundo a fonte, já estava planejada. Dois veículos de comunicação focados no setor militar, Navy Times e Stars and Stripes, relataram tentativas de suicídio e queda no moral da tripulação de 5.000 pessoas do Lincoln, que está no mar desde novembro de 2025, antes mesmo do conflito deflagrado por EUA e Israel ao Irã, no fim de fevereiro. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira que as notícias sobre más condições a bordo do porta-aviões no Oriente Médio foram “completamente deturpadas”. O porta-aviões está na região desde janeiro, apoiando a guerra contra o Irã. “Garantimos que cada navio, cada tripulação e cada capitão tenha tudo o que podemos oferecer a cada momento. Algumas missões são mais longas do que outras, e tenho mais respeito e gratidão por esses marinheiros do que por qualquer outra pessoa. O que fazem em alto mar, nessas condições austeras e com menos escalas em portos, é incrível”, disse Hegseth a repórteres durante visita ao Panamá. Normalmente, as missões navais duram entre seis e nove meses, mas, em períodos de conflito, o prazo pode ser prorrogado. Missões longas podem representar enorme pressão sobre a saúde mental das tripulações, especialmente em tempos de guerra, e sempre foram um desafio para a Marinha dos EUA. Os marinheiros precisam manter um estado elevado de alerta e prontidão, especialmente diante da ameaça de ataques com drones e mísseis do Irã. Parlamentares democratas estão insatisfeitos com a prolongada mobilização do porta-aviões Lincoln e com as condições a bordo do navio. “Tem havido relatos generalizados de escassez de suprimentos básicos, contaminação da água, problemas no encanamento, deterioração da saúde mental, preocupações com a segurança no convés e interrupções no sistema de correio, o que fez com que muitos pacotes a caminho do navio ficassem perdidos por meses”, escreveu o senador americano Richard Blumenthal a Hegseth e ao secretário da Marinha nesta semana. Quando questionada sobre relatos de más condições a bordo do Abraham Lincoln, a porta-voz da Casa Branca Olivia Wales disse que o presidente Donald Trump e Hegseth estavam empenhados em garantir que as Forças Armadas estivessem “equipadas com os recursos necessários para combater qualquer ameaça aos Estados Unidos”.