“O Grupo de Ataque do porta-aviões George Washington está operando no Oriente Médio em uma mobilização programada, após ter chegado ontem à área de responsabilidade do Comando Central”, afirmou no X o Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês), responsável pelas forças norte-americanas na região. O USS George Washington é acompanhado por um grupo de ataque composto por navios de guerra e outras embarcações de apoio. Ele substituirá o USS Abraham Lincoln, que tem sofrido com problemas técnicos e com problemas de saúde mental entre os tripulantes. Agora no g1 USS George Washington no Oriente Médio cria 'buraco' no Pacífico, diz analista O governo Trump utilizou sua "reserva de emergência" ao enviar o porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio em meio à guerra com o Irã, o que "criou um buraco" na região do Pacífico e impactou na capacidade de responder a ameaças globalmente, segundo um analista ouvido pelo jornal "The New York Times". Segundo John Ismay, repórter do "New York Times" que cobre o Pentágono e se especializou em questões estratégicas, a função do USS George Washington é servir como um "reserva" para os restantes dos porta-aviões norte-americanos, porém, no restante do tempo tem o objetivo de servir como dissuasão na região do Pacífico. "Uma coisa que acho que ainda não discutimos é que o porta-aviões que a Marinha mantém permanentemente destacado no Japão, junto à 7ª Frota dos EUA, está lá basicamente para emergências (...) e esse navio está sendo enviado neste momento para substituir o Lincoln. Isso cria o que se chama de custo de oportunidade. (...) O deslocamento do USS George Washington para o Oriente Médio significa que há uma lacuna no Pacífico que não é facilmente preenchida", afirmou Ismay ao podcast The Daily, do jornal norte-americano. O navio USS George Washington em formação com embarcações americana, britânica e francesa durante treinamento em 2023 — Foto: Nicholas Russell/Departamento de Defesa dos EUA O USS George Washington e seus navios de apoio ficam estacionados na costa do Japão, em uma base militar na cidade de Yokosuka, e é uma presença dos EUA no Mar da China Oriental para prevenir escaladas na região do leste asiático, como entre China e Taiwan e entre as Coreias. Com isso, segundo Ismay, o deslocamento do USS George Washington —a princípio sem reposição—, faz com os EUA perderem momentaneamente a presença que mantinham no Pacífico e ficarem expostos ao acaso. "Você basicamente ficará sem opções se houver uma escalada", acrescentou. Isso porque é necessário levar em conta os tempos de deslocamento para os navios de guerra, completou Ismay. Levar o porta-aviões entre Japão para o Oriente Médio demora alguns dias, e o período para levar uma embarcação dos EUA para a Ásia leva cerca de um mês. LEIA TAMBÉM: Guerra prolongada Faixa com uma imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã. — Foto: Majid Asgaripour / WANA O "buraco" estratégico deixado momentaneamente pelos EUA na região do Pacífico com o envio do USS George Washington não é o único efeito que o governo Trump está passando por conta da guerra contra o Irã. O conflito está próximo de completar seis meses sem perspectiva de ser finalizado —pelo contrário, uma escalada parece mais provável neste momento por conta de um aumento de troca de ameaças entre Donald Trump e o regime do Irã. Ameaças do presidente norte-americano de bombardear a infraestrutura vital iraniana, teoricamente, ainda estariam na mesa como uma possível alternativa para escalada. Outra ameaça feita pelo governo Trump nos últimos dias é de criar um isolamento econômico ao Irã "como o mundo nunca viu antes". Entre as exigências do Irã para não escalar o conflito, estão: o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos;o encerramento das sanções ao petróleo iraniano;a liberação dos ativos congelados de Teerã;o fim das ameaças e operações militares em todas as frentes da guerra. Trump disse na terça que não havia tratativas em andamento com o regime iraniano. Foto de arquivo: o porta-aviões USS Abraham Lincoln durante a operação Fúria Épica, de EUA e Israel contra o Irã. — Foto: Marina dos EUA/Divulgação via Reuters