0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump anuncia 'guerra econômica' contra Irã e ameaça parceiros com represálias — Foto: Jim Watson/AFP Ao ameaçar o Irã com uma guerra econômica “esmagadora”, o presidente Donald Trump está subestimando a capacidade do regime iraniano de suportar o cerco e superestimando a paciência de seu próprio eleitorado, avalia Uriã Fancelli, analista de relações internacionais e autor do livro Populismo e Negacionismo: O uso do negacionismo como ferramenta para a manutenção do poder populista. Para Fancelli, em uma guerra de desgaste econômico entre uma democracia pressionada pela inflação e uma autocracia acostumada à penúria, o relógio corre contra Trump. — Parece que Trump ainda não entendeu que regimes autocráticos e repressores como o iraniano absorvem choques de preços e escassez com uma ferramenta que as democracias não têm: a repressão. Eles repassam o custo à população sem pagar uma conta eleitoral. O Irã sobreviveu a quatro décadas de sanções. Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, não vai disputar uma eleição em novembro, mas o próprio Trump vai, e os números mostram que ele é o mais prejudicado nessa situação. A aprovação do presidente está em seu pior nível, a gasolina passou de US$ 4 pela primeira vez em três anos e 68% dos americanos dizem que a guerra não valeu a pena — ressalta o analista. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRAHIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países Fancelli destaca ainda que o Irã não depende exclusivamente do comércio que passa pelo Estreito de Ormuz, que Donald Trump ameaça transformar em território americano. Teerã mantém rotas de comércio terrestre com a Turquia, o Iraque e a Ásia Central, que Trump não conseguiria interromper simplesmente por decreto, diz o analista. Ele explica que para sufocar o regime iraniano, o presidente americano teria que comprar uma briga com os bancos e com a China, o que não parece uma boa alternativa a 3 meses das eleições de meio de mandato. — Para conseguir estrangular o regime de verdade, ele precisaria sancionar os bancos que financiam essas compras. E é aí que a coisa fica mais complicada. Trump esteve na China em maio para costurar uma trégua comercial e vai receber Xi Jinping nos Estados Unidos no mês que vem. A pergunta que fica agora é: Trump está mesmo disposto a comprar essa briga com a China semanas antes de se sentar com Xi para negociar comércio e inteligência artificial? Pesquisa mostra mais convergência do que divergência entre brasileiros na economia, apesar da polarização política Fancelli pontua que a China já demonstrou que possui ferramentas de retaliação que “machucam” os Estados Unidos, inclusive por meio de tarifas. Também mostrou que pode restringir as exportações de terras raras, das quais os americanos dependem. — Voltar a esse cenário a três meses das eleições de meio de mandato, com uma inflação que já incomoda, não parece uma boa alternativa — afirma Fancelli.
Trump subestima resistência de Teerã e superestima paciência do eleitor, diz analista sobre ameaça de guerra econômica
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