0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ataques aéreos dos EUA matam três no oeste do Irã, diz agência estatal — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 13:08 Conflito EUA-Irã: Impactos no Agronegócio e Inflação no Brasil O analista Uriã Fancelli descreve o conflito entre EUA e Irã como uma "guerra de atrito administrada", marcada por ciclos de tréguas e ataques, sem uma escalada total. O Irã busca manter o controle estratégico do Estreito de Ormuz, vital para sua influência regional. No Brasil, a crise afeta o agronegócio, com aumento nos custos de diesel e fertilizantes, impactando a inflação e a cadeia logística. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma "guerra de atrito administrada". É assim que o analista de relações internacionais Uriã Fancelli classifica o conflito entre Estados Unidos e Irã após mais uma ruptura do cessar-fogo e a retomada dos ataques de ambos os lados. Guerra de atrito, explica, não significa paz, mas tampouco uma guerra em larga escala, mas pode ter tonar essas idas e vindas o novo normal na região. — É uma situação de limbo que revela justamente a indisposição dos dois lados de voltar a um confronto total, mas que funciona quase em ciclos: trégua, rearmamento, teste de limites, punição e nova trégua. O Irã usou o cessar-fogo para reconstituir capacidades, recuperando radares móveis e mais da metade do estoque de mísseis e lançadores que possuía antes da guerra, equipamentos que agora voltaram a ser alvo dos Estados Unidos. Cada pausa produz um Irã mais capaz de sustentar a rodada seguinte de ataques, o que torna um novo confronto mais provável. Há ainda uma mudança estrutural: antes da guerra, o Irã não tinha poder real sobre o que passava pelo Estreito de Ormuz. Esse status quo mudou e dificilmente haverá retorno ao cenário anterior — diz Fancelli. Para o analista, o cessar-fogo tinha poucas chances de prosperar porque foi assinado, do lado iraniano, pelo presidente Masoud Pezeshkian, que representa o governo civil, mas não tem autoridade sobre a Guarda Revolucionária Islâmica. O acordo era razoável para o Estado iraniano, mas representava uma ameaça para a Guarda como organização, explica Fancelli. Isto porque a principal moeda de troca da organização é justamente o ativo que sustenta seu poder: o controle sobre o Estreito de Ormuz. — Ao realizar esses ataques para forçar que as embarcações utilizem apenas rotas controladas pelo regime, o Irã deixa claro que valoriza mais o controle sobre o estreito do que evitar uma nova escalada com os Estados Unidos. A avaliação é de que, se deixar de agir, perderá seu maior instrumento de barganha. Do ponto de vista iraniano, atacar petroleiros durante a vigência do memorando tem mais relação com preservar sua posição nas negociações do que propriamente sabotar o acordo. Na avaliação de Fancelli, Donald Trump tem incentivos estruturais para evitar uma guerra prolongada. O presidente americano afirmou no mês passado que a continuidade do conflito poderia provocar um desastre econômico. Além disso, cresce a pressão política com a aproximação das eleições de meio de mandato. No entanto, o fato de os ataques terem ocorrido enquanto Trump participava da cúpula da OTAN pode tê-lo levado a concluir que era necessária uma demonstração de força, pondera. — Talvez Trump tenha avaliado que uma postura de contenção seria interpretada como sinal de fraqueza. Também é preciso lembrar que ele costuma escalar e negociar ao mesmo tempo. Tanto que afirmou, a bordo do Air Force One, que o Irã queria muito fechar um acordo e que Teerã havia entrado em contato pouco antes — afirma o analista. Nesse cenário, o Brasil vive o paradoxo de ser um exportador de petróleo que pode até se beneficiar da alta dos preços por meio da Petrobras, mas, ao mesmo tempo, sofre com o aumento do custo do diesel e dos fertilizantes, diz Fancelli, que aponta o agronegócio como o setor que deve ser mais afetado pela retomada do conflito. — Os efeitos mais imediatos da Guerra no Oriente Médio sobre o Brasil aparecem no combustível e na inflação. O diesel sente primeiro, porque o país ainda depende de importações, e seu encarecimento se espalha por toda a cadeia logística, elevando o custo do frete e, consequentemente, dos alimentos. A Petrobras tem segurado reajustes, mas isso produz um efeito perverso: os preços internos também demoram mais para cair quando o petróleo recua no mercado internacional. Em ano eleitoral, diesel caro não agrada a ninguém. A greve dos caminhoneiros de 2018 mostrou o impacto que essa categoria pode ter sobre o país. Mas o principal atingido é o agronegócio. Pelo Estreito de Ormuz não passa apenas petróleo, mas também fertilizantes, e o Brasil importa grande parte do que utiliza nas lavouras, muito desse volume vindo dos países do Golfo. Cada semana de crise na região encarece a produção agrícola brasileira.