Em uma demonstração de atrito entre as potências emergentes da nova ordem geopolítica no Oriente Médio, Israel e Turquia trocaram acusações e ameaças veladas nesta quinta-feira (20), dois dias após o Estado judeu bombardear uma base aérea na vizinha Síria.

O ataque aéreo israelense ocorreu na instalação de Abu al-Duhur, no noroeste sírio. Segundo o ministro Israel Katz (Defesa), o local estava sendo preparado para receber um contingente de forças da Turquia, país que foi fiador da derrubada do ditador sírio Bashar al-Assad em 2024.

Tanto o governo em Ancara quanto o de Damasco negam essa intenção, embora o chanceler sírio, Assad al-Shaibani, tenha dito ao site americano Axios que uma delegação militar turca havia visitado a base há alguns dias "como parte da cooperação em curso" entre os países.

Nesta quinta, o Ministério da Defesa da Turquia disse que "é essencial para a paz e estabilidade na Síria e na região que Israel cesse esses ataques irresponsáveis a cumpra os requisitos da lei internacional".

Já Katz voltou ao tema no X, subindo ainda mais o tom. Ele advertiu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a não "testar a determinação de Israel de se defender". Segundo ele, o líder está "arrastando a Turquia para aventuras perigosas na Síria".