Governo tenta acalmar gestores e bancos, mas preocupação com crescimento da dívida pública continua 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan: em novo encontro dom bancos e mercado financeiro, ele tentou acalmar mercado sobre creswcimento da dívida pública — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Esta semana, em mais uma rodada de conversas com representantes de bancos e gestoras, o ministro da Fazenda Dario Durigan tentou acalmar o mercado financeiro sobre as medidas que serão implementadas para conter a escalada da dívida pública, principal fragilidade do governo apontada pelas instituições financeiras. Apesar do compromisso de Durigan com o ajuste, a leitura dos economistas e gestores foi de que faltaram propostas mais concretas de onde serão feitos os cortes pelo lado das despesas. Na segunda-feira (17), Durigan, fez um encontro fechado, em São Paulo, com cerca de 30 representantes de bancos como Bank of America, Citi, BNP Paribas, e gestoras, como a BR Partners. No mesmo dia, ele também participou da 27ª Conferência Anual do Santander, evento aberto que reuniu empresários e representantes do setor financeiro. E ainda esteve no evento “Círculo de Líderes”, promovido pela Bloomberg, em seu escritório na capital paulista. E, depois dessa rodada de encontros com o mercado financeiro, o ministro tenta agora uma agenda com dois expoentes da política econômica durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. Esta semana, na Faria Lima, Durigan reafirmou no encontro com os banqueiros o compromisso do governo com um ajuste fiscal rigoroso, que poderia ajudar a derrubar a taxa de juros. Pessoas que participaram da reunião com o ministro disseram que ele se mostrou favorável a uma escala de trabalho 5x2, e sinalizou preocupação com a repercussão do caso Master e os problemas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado. Clareza só depois da lei orçamentária O ministro foi questionado sobre todos esses temas, respondeu a todas as perguntas cordialmente e deixou uma boa impressão na plateia — que vê nele um possível ministro da Fazenda em caso de reeleição de Lula. Mas, entre os participantes, ficou a impressão de que é impossível falar de quanto será o ajuste fiscal para 2027 enquanto a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não for votada. Durigan, por exemplo, disse que o governo implementou duas travas "importantíssimas" voltadas para o controle do crescimento dos gastos obrigatórios, que vão gerar uma economia de R$ 10 bilhões em 2027. Mas sem os valores das despesas, a economia de R$ 10 bilhões "pode ser irrelevante, se o gasto total aumentar em proporções muito maiores", disse um participante. Ajuste pelo lado da receita A mesma fonte notou a falta de propostas concretas sobre corte de despesas. A discussão sobre a Reforma Administrativa, que havia sido prometida anteriormente por Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, não foi retomada e Durigan também não citou medidas estruturais específicas de corte de despesas, como a desvinculação de aposentadorias do salário mínimo. Para este participante, ficou a impressão de que o governo continuará tentando equilibrar as contas apenas pelo lado da receita. Além disso, pelo menos dois participantes lembraram que as regras do arcabouço fiscal (que limita o gasto do governo a até 2,5% acima da inflação) são frequentemente alteradas ou "suavizadas" para contornar dificuldades, deixando gastos bilionários de fora das regras. Isso foi feito nos últimos quatro anos e nada sinaliza que algo vá mudar, disse um deles, lembrando que o ministro também evitou falar sobre mudanças no limite de gastos do arcabouço. No evento da Bloomberg, Durigan reconheceu que as preocupações do mercado com a trajetória da dívida e dos gastos obrigatórios são "justificadas" e "legítimas", e voltou a admitir que o país precisa "melhorar o fiscal". No encontro do Santander, o ministro afirmou que o déficit público foi "praticamente zerado", que o caminho fiscal está "bem pavimentado" e o resultado primário tem contribuído para a previsibilidade desde 2024. O ministro enfatizou que os juros altos são um dos principais problemas do país. Um empresário que acompanhou a fala de Durigan disse que ficou a impressão de que "vivemos na Suíça". Na pauta dos gestores e CEOs de bancos, uma das principais preocupações é a trajetória de alta contínua da dívida pública, impulsionada pelo elevado nível de gastos e pelo custo expressivo dos juros. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 10,8 trilhões, o equivalente a 81,9% do PIB. O volume expressivo de despesas com juros consome grande parte do orçamento, anulando esforços fiscais e acelerando o endividamento. Diante do início da campanha presidencial, com as pesquisas apontando o presidente Lula à frente de seus adversários, investidores começaram um movimento de venda de ativos' brasileiros. O gatilho se deu depois que o banco JP Morgan piorou a recomendação para o Brasil.
Mercado financeiro espera medidas mais concretas de corte de gastos após encontro com Durigan
Governo tenta acalmar gestores e bancos, mas preocupação com crescimento da dívida pública continua









