Pelas regras de hoje, despesas podem subir até 2,5% ao ano acima da inflação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 21:26 Ministro sinaliza redução no aumento do teto de gastos para 2024 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em conversas com o mercado financeiro, indicou uma possível redução no ritmo de aumento do teto de gastos do arcabouço fiscal, atualmente em 2,5% acima da inflação, para entre 1,5% e 2%. Esta mudança visa controlar despesas obrigatórias e permitir mais investimentos públicos. A decisão reflete a necessidade de conter a dívida pública, que preocupa o governo e o mercado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em meio aos questionamentos frequentes sobre a política fiscal em curso e as dúvidas sobre o que será um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na economia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, buscou sinalizar, em conversas de bastidores no mercado financeiro nas últimas semanas, que o governo avalia reduzir o ritmo de crescimento do teto de gastos do arcabouço fiscal. Hoje, o limite é de 2,5% acima da inflação e poderia cair para algo entre 1,5% e 2%. A medida, se for adiante, significaria não só uma redução no ritmo do gasto, mas teria um impacto importante ao garantir uma contenção na política de reajuste do salário mínimo, que indexa os gastos da Previdência e de outros programas, como abono salarial e Benefício de Prestação Continuada. O piso nacional só pode subir até o limite estabelecido no arcabouço fiscal. Não se trata ainda, porém, de uma promessa de governo. Porém, nessas reuniões, Durigan tem dito que recebeu de Lula o pedido para ser o porta-voz econômico da campanha petista — movimento que tentou neutralizar os ruídos causados pelo coordenador do programa de governo petista, José Sergio Gabrielli. Nesse sentido, para pessoas conhecimento no assunto, mais relevante do que a indicação de que pode ser adotada uma maior contenção no ritmo das despesas, é a percepção de que haveria uma compreensão mais ampla do governo e, principalmente, do presidente Lula, de que algo mais concreto precisa ser feito para conter a trajetória da dívida pública nos próximos anos. Hoje, a dívida pública equivale a 81,1% do PIB, patamar que preocupa especialistas e agentes do mercado financeiro. Nas conversas, segundo relatos de diversas fontes, Durigan sinalizou também que o governo quer trabalhar com mais força na contenção das despesas obrigatórias. Isso não só para tornar mais viável um eventual teto de gastos mais baixo, mas também para abrir espaço no orçamento para investimentos públicos, uma ambição que vem sendo indicada por Lula a diferentes auxiliares. Ciente dos riscos de possíveis medidas mais duras serem exploradas contra o governo na campanha eleitoral, há preocupação em não abrir demais quais seriam os possíveis caminhos a serem explorados. Ainda assim, alguns investidores enxergaram nas conversas sinalizações mais duras sobre salário mínimo e Previdência, o que não foi confirmado por todos interlocutores ouvidos. A lógica de abrir pouco o cardápio é que, se nem a campanha de Flávio Bolsonaro, com seu ideário liberal, tem detalhado o que pretende fazer na seara fiscal para evitar perder votos, o petismo, com suas diversas correntes e tensões tradicionais, precisaria ter cuidado redobrado. Um integrante do governo relata que houve investidores procurando para perguntar o quanto o Lula estaria cogitando ideias com mais impacto como uma Reforma da Previdência ou uma política de reajuste do salário mínimo muito modesta. A resposta foi que até o momento o presidente não deu qualquer sinal mais concreto do que pretende fazer para além do que está previsto na no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária Anual de 2027 – que prevê um superávit nas contas no ano que vem e um ajuste de 1,5% do PIB até 2030. O que está claro é que há uma percepção mais ampla no Executivo de que o problema fiscal demanda uma atenção maior do governo, ainda que isso deva ser mediado pelos tradicionais conflitos internos do petismo. Porém, o caminho a ser escolhido por Lula, segundo um interlocutor, dependerá de muitos fatores e a tendência é que seja delineado mais claramente somente após as eleições. Até a forma como uma eventual vitória se dará, se no clima classificado como quase fúnebre da reeleição de Dilma Rousseff em 2014 ou na euforia da reeleição de Lula em 2006, influenciará os rumos que um possível Lula 4 vai tomar.