Há três anos, o sojicultor Ademar Bedin, catarinense radicado em Cristalina (GO), comprou 14 mil hectares de floresta amazônica em Roraima para aproveitar as vantagens de uma nova fronteira agrícola, repetindo o roteiro de gerações de produtores rurais.
Em Roraima, onde a agricultura comercial está avançando, ele planejava desmatar quase metade da propriedade, cuja área total equivale a mais de cinco vezes o arquipélago de Fernando de Noronha, para plantar soja, o que é permitido por lei.
Em vez disso, a ZEG, uma desenvolvedora de projetos de carbono sediada em São Paulo, o convenceu a manter a floresta em pé.
Agora, a propriedade de Bedin virou um teste para saber se os mercados de carbono conseguem fazer algo que há muito prometem, mas que raramente concretizaram: tornar a preservação da floresta tropical financeiramente atraente para um produtor rural."Pelo modelo que estamos fazendo, é um novo tipo de agricultura", disse Bedin em entrevista por Zoom de sua fazenda em Goiás. "É agricultura de conservação."
O que torna o projeto Vale do Rio Branco diferente não é um novo tipo de crédito de carbono, mas como ele foi estruturado. Ele se apoia em evidências robustas de que, sem a iniciativa, a floresta seria derrubada e seu carbono seria emitido —um princípio conhecido como "adicionalidade" do benefício climático.






