Foi noticiado nesta Folha que a campanha de Lula está dividida sobre fazer ou não um ato voltado ao segmento evangélico. Seria um erro político e pedagógico tratar os evangélicos como um bloco eleitoral. Evangélicos são plurais; qualquer evento desse tipo dialogaria apenas com uma parcela do grupo.
Há um setor fortemente identificado com o discurso de que "cristão não vota na esquerda". Para esse grupo, a rejeição ao PT não é apenas uma preferência eleitoral; tornou-se parte de uma identidade política e religiosa. Seus integrantes não participariam de um evento de Lula ou estariam dispostos a considerar os argumentos apresentados pelo candidato.
Há também os evangélicos separatistas, que não gostam de misturar religião e política, especialmente em períodos eleitorais. Para eles, a questão central não é a divisão entre esquerda e direita, mas a rejeição à transformação da fé em instrumento de disputa partidária.
Por fim, há lideranças evangélicas fisiológicas, muitas delas integradas a partidos do Centrão. Elas não acreditam necessariamente no mantra de que "cristão não vota na esquerda", até porque várias já votaram em Lula ou ocuparam cargos em seus governos. Mas não têm interesse em aproximar a esquerda dos evangélicos, pois se beneficiam eleitoralmente da distância entre o lulismo e o eleitorado evangélico conservador.







