Campanha avalia um ato no Rio de Janeiro com a presença do presidente nas próximas semanas, mas formato ainda não foi definido 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula recebendo evangélicos no Palácio do Planalto em outubro — Foto: Ricardo Stuckert/PR A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a necessidade de o chefe do Executivo se aproximar e fazer acenos mais concretos ao eleitorado evangélico, que continua a ser um dos pilares do eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A menos de dois meses das eleições, contudo, a equipe ainda não definiu qual deve ser a estratégia a ser adotada, e quer evitar que qualquer aproximação no momento possa ser interpretada como artificial. Leia mais De olho nessa demanda, está sendo avaliado um ato no Rio de Janeiro com a presença do presidente para aproximar a campanha a esse segmento. Ainda não há data nem formato definidos, mas a expectativa é que ocorra já nas próximas semanas. Essa agenda, porém, não está fechada pois não há consenso dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre o ato e, portanto, há certa resistência de parte da equipe. A leitura interna é de que é preciso fazer um aceno mais concreto, mas não necessariamente repetir o modelo de 2022. Naquele ano, o petista participou de um ato público com pastores em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O evento teve apresentação de jingles gospel e a leitura da Carta de Evangélicos a Lula. Na época, havia uma preocupação no núcleo de campanha do PT em relação à disseminação de “fake news” geradas a partir da rede evangélica de apoio a Bolsonaro. O principal objetivo era tentar estancar o estrago produzido a partir de mensagens falsas de que Lula fecharia igrejas evangélicas em caso de vitória nas urnas. Apesar de o PT ver que parte dessas “fake news” já foram eliminadas, ainda enxerga um resquício em parte do eleitorado, e acha que precisa avançar em relação ao que foi feito na última corrida presidencial. Para isso, o desafio, na visão de aliados, é transformar a aproximação em diálogo permanente com o segmento, com uma comunicação mais adequada e pautas concretas. Mesmo que se admita que Lula já avançou nesse sentido durante seu terceiro mandato, reconhece-se que ainda há uma distância importante, e que precisa ser reduzida para vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista no momento, em outubro. O fundamental, segundo uma pessoa a par das discussões, é não artificializar a relação nem tratar os evangélicos como um bloco homogêneo. Um dos empecilhos para essa aproximação mais concreta é o próprio presidente, que é contra usar a religião como instrumento político e, portanto, se recusa a ir a igrejas e discursar, por exemplo. Para contornar isso, a campanha quer manter uma estratégia que já estava sendo adotada pelo governo: “reforçar e massificar” a informação sobre ações da administração federal para que a aproximação com o segmento aconteça de maneira quase espontânea. Para isso, a equipe do PT quer mostrar que esse esforço de se aproximar do segmento é algo construído ao longo das décadas, e apontar o quanto pode ser construído ainda. Um dos fatos a ser apresentado é a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é evangélico e dialoga bem com as principais lideranças neopentecostais. O nome, porém, foi recusado pelo Congresso. Nesse sentido, o diálogo passa por ouvir as diferentes comunidades, construir propostas e ampliar parcerias com as igrejas em ações sociais e de interesse público. Ao mesmo tempo, a campanha pretende apresentar que seu projeto de governo se aproxima dos ideais religiosos e se difere da extrema-direita, ao se basear na democracia, justiça social, solidariedade, paz e redução das desigualdades. Assim, um ponto é relacionar os programas federais a ideais religiosos. Um exemplo é a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, que será apresentado como um instrumento de justiça social. O mesmo valerá para os programas Gás do Povo e o Bolsa Família. Já as medidas para ampliar o acesso ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida representariam uma “defesa da família”. Embora a estratégia para as próximas semanas de campanha ainda esteja em discussão, a equipe de Lula já iniciou o esforço para se aproximar do segmento evangélico. No domingo (16), primeiro dia oficial da campanha, a primeira-dama Janja da Silva cantou o jingle gospel da campanha ao lado do pastor evangélico Kleber Lucas. Janja, inclusive, tem desempenhado um papel central como interlocutora e construtora do diálogo entre o governo e o segmento. Nos últimos meses, ela intensificou as conversas com líderes e fiéis, com um foco especial nas mulheres evangélicas.
Campanha de Lula quer evitar acenos 'artificiais' a evangélicos, e busca ações concretas ao segmento
Campanha avalia um ato no Rio de Janeiro com a presença do presidente nas próximas semanas, mas formato ainda não foi definido







