Ishe e Dembe saltavam de galho em galho na densa copa da floresta de uma reserva em Uganda quando surpreenderam os pesquisadores que os observavam. Os chimpanzés-orientais se aproximaram de um macaco-de-cauda-vermelha que estava por perto, não com agressividade, mas com carícias.

Uma interação rara como essa pode representar um estágio inicial do comportamento de criar animais de estimação entre nossos primos primatas, segundo um estudo publicado no fim do mês passado na revista Primates.

O trabalho sugere que os Homo sapiens não são os únicos a cuidar de outras espécies e que as raízes do desejo de ter um animal de companhia podem remontar a um passado distante de nossa história primata.

Os animais de estimação há muito representam um enigma evolutivo para os pesquisadores. Precisamos alimentá-los, dar-lhes abrigo, além de cortar as unhas deles, limpar seus dentes e fazer carinho neles. Uma relação assim poderia ser considerada um investimento de baixo retorno.

"Esbanjar recursos com membros de outras espécies nos quais não temos nenhum interesse evolutivo parece não fazer sentido do ponto de vista da evolução", afirmou o psicólogo e especialista em animais Hal Herzog, da Western Carolina University (EUA), que não participou da pesquisa. Ainda assim, muitas culturas ao redor do mundo têm animais de estimação e nutrem grande carinho por eles.