Ver um macaco-prego encarapitado em fios telefônicos, com uma pomba das mais gorduchas que lhe pendia da boca não era bem o que eu estava esperando ao morar perto de um fragmento florestal. (A bizarrice da cena só perde para o dia em que um quati escalou a cerca que nos separa da mata equilibrando um pote de achocolatado no focinho.)
O fato, porém, é que eu não devia ter ficado surpreso: os macacos-pregos podem ser predadores de mão cheia, e um novo estudo indica que seus talentos para a caça talvez iluminem até o que sabemos sobre certos aspectos da evolução humana.
Como há várias espécies aparentadas de primata que têm o mesmo nome popular, o bicho de que trata a pesquisa, o Sapajus libidinosus, provavelmente não é o mesmo que os meus vizinhos, já que habita o município de Gilbués (PI), numa zona de transição entre o cerrado e a caatinga. Na localidade, há dois grupos de macacos-pregos que já são observados há vários anos por uma equipe que inclui Patrícia Izar e seus colegas do Departamento de Psicologia Experimental da USP.
Os pesquisadores estavam particularmente interessados na caça a vertebrados, um comportamento já registrado em 89 espécies de primatas até agora, mas que tem nos macacos-pregos alguns de seus maiores representantes.






