Gilberto Gil era um homem desterrado nos primeiros anos da década de 1970. Após ser preso pela ditadura militar em 1968, o cantor se exilou em Londres com Caetano Veloso, outro expoente da tropicália detido no mesmo período. Na capital inglesa, o músico entrou em contato com uma cena artística efervescente.

O músico emergiu renovado desse caldo cultural. Em Londres, comprou a sua primeira guitarra, uma Gibson 335, instrumento com o qual aprofundou a mistura do rock anglo-saxão com os acordes da música brasileira. Como canta em "Back to Bahia", ir embora foi necessário para que ele pudesse voltar. Não à toa, o musical "Gil – Andar com Fé" usa o exílio como ponto de partida para contar as origens de um dos nomes mais luminosos da música brasileira.

Dirigido por Miguel Falabella e estrelado por Gui Ventura, o espetáculo estreia nesta quinta-feira, dia 20, no Teatro Santander, na capital paulista, para celebrar não apenas um homem, mas o espírito de um tempo.

"Conceitualmente, a gente precisava homenagear uma geração, um movimento no final dos anos 1960 que veio com o pé na porta e nos salvou de uma caretice absoluta, da qual não haveria saída", afirma Falabella. "Não é à toa que eles foram massacrados."