No dia em que faz 84 anos, mito baiano da canção chega ao streaming com a primeira de quatro partes do registro sonoro e audiovisual da turnê que rodou o Brasil. Restante será lançado até fim do ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gilberto Gil durante show da turnê Tempo Rei de 2025 — Foto: Divulgação Sereno, Gilberto Gil entra em cena, em São Paulo, para “Palco” (1981). Entre filhos e netos, que compõem boa parte de sua banda, ele solta sua voz mais contida (e curtida) pela idade, na sua canção mais simbólica da profissão assumida há mais de 60 anos: a de cantor popular em um Brasil de tantos cantores populares. Claudia Raia lembra relacionamentos com Jô Soares, que salvou sua vida, e Alexandre Frota: 'Eclética'Lionel Richie interrompe estreia de turnê, nos EUA, após passar mal no palco: 'Tonto' Começa aí o primeiro dos quatro volumes de “Tempo Rei — Ao Vivo”, registro da turnê que se estendeu de março do ano passado a março deste ano, para marcar a despedida das turnês de Gil, personalidade do ano no Prêmio Faz Diferença 2025, entregue pelo GLOBO este mês. Esta sexta-feira, aniversário de 84 anos do baiano, o EP inicial chega às plataformas de streaming, acompanhado, no YouTube, de uma contrapartida audiovisual. O disco faz um apanhado bem equilibrado das várias fases da carreira de Gil, seguindo por “Banda um”, faixa do LP de 1982, “Um banda um”, gravada em Fortaleza — uma festa com toda a alegria a que se tem direito, na qual reluzem o naipe de sopros e a sanfona de Mestrinho. “Tempo Rei” (do LP “Raça Humana”, de 1984) ressurge na gravação do show em Belo Horizonte com toques de afoxé e baião, bem-vestida por cordas, com as reflexões sobre a passagem dos anos e décadas que dão o tom (e o título) do show. Canção de Dominguinhos e Anastácia, popularizada por Gil nos anos 1970, “Eu só quero um xodó” traz, no registro ao vivo em Belo Horizonte, as cores do Nordeste, sem deixar de mencionar, no telão, a ligação do artista com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga (1912-1989). O samba de sempre diz o seu alô em “Eu vim da Bahia”, ao vivo em Belo Horizonte, com o trombone de gafieira de Marlon Sette, cordas luxuosas e um desfile de imagens de Dorival Caymmi e João Gilberto (o pioneiro no registro da canção) — baianos que, assim como Gil, tanto contribuíram para as transformações do estilo. A religiosidade popular se apresenta em “Procissão” (1967), um dos sucessos iniciais do cantor, gravada na passagem de “Tempo Rei” pelo Rio de Janeiro. Já toda a cinematografia da letra da tropicalista “Domingo no parque” (1968) é amplificada no palco, no show de Belém, com berimbau de Gustavo di Dalva, mais fotos e grafismos que bailam, graciosos, no telão. Os três volumes restantes do projeto serão lançados ao longo do ano, acompanhados por registros audiovisuais dos shows, dirigidos por Rafael Dragaud e editados por Joana Swan. O último volume sai em novembro, quando também chegará para o público um box reunindo os quatro discos em vinil de “Tempo Rei — Ao Vivo”, pela Três Selos Rocinante.