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20/08/2026 03h30 Atualizado há 32 minutos

Foram uns bons anos até controlar os medos. Eram muitos. De assumir a personalidade, os desejos, medo de o que os outros iam pensar, de decepcionar quem amava, de mudar de emprego, de carreira. E toda segunda-feira, uma da tarde, num consultório silencioso, a Ana ia descascando aquele abacaxi comigo, fazendo pensar, relativizar, ouvir a mim mesmo, me fazendo entender que aquele bicho de sete cabeças — também conhecido como futuro — poderia não ser tão perigoso assim. E ela estava certa. De vez em quando visito mentalmente algumas de suas frases preciosas de encorajamento, mas sem passar a mão na cabeça. Ainda lembro a sensação de sair da bolha de acolhimento do seu consultório e enfrentar as buzinas da Copacabana que me esperava lá fora. Não era fácil. Mas era uma bela metáfora da própria vida: deixar o conforto e a segurança para encarar o caos.

Eis que agora estou de volta ao divã. Apesar de estar deitado, não é exatamente um divã. É uma cama. A minha cama. Estou de volta à terapia, mas o meu terapeuta não é mais a Ana. Ele agora atende pelo nome de Selton Mello. Ou melhor, Caio Barone. Nas últimas semanas, antes de dormir, fico maratonando a nova temporada de “Sessão de terapia” (Globoplay) e tem sido um reencontro delicioso.