Se eu fosse uma mosquinha, adoraria ver alguém descobrir quem é 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 19:47 Terapia: Um Parto Doloroso Rumo ao Autoconhecimento Autêntico A terapia é comparada a um parto doloroso, mas com recompensas de autoconhecimento. A autora reflete sobre querer ser uma "mosquinha" em uma sessão terapêutica, fascinada pelo processo de autodescoberta. Inspirada por séries como "Em Terapia", destaca a terapia como uma dissecação pessoal, onde o paciente abandona narrativas simplistas e emerge mais autêntico. Apesar do medo, a coragem de enfrentar esse processo é valorizada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Era um programa de tevê ao vivo. Alguém me perguntou à queima-roupa: se você pudesse ser uma mosquinha, onde se infiltraria, sem ser notada? Respondi a primeira besteira que me veio à cabeça e só quando voltava para casa, dirigindo o meu carro, é que me dei conta de que eu adoraria ser uma mosquinha dentro de um consultório de terapia, a fim de presenciar o transbordamento de alguém que eu amasse (e que acabaria falando bem ou mal de mim, pois a ideia seria bisbilhotar, claro). Tenho fascínio pelo processo terapêutico. Não por acaso, meu primeiro livro de ficção se chama “Divã”, que reúne os sentimentos e dúvidas que uma mulher de 40 anos despeja para um analista. Na época, eu tinha um conhecimento remoto e superficial sobre o assunto. Escolhi o recurso narrativo do divã apenas como álibi para escrever na primeira pessoa sobre questões que me interessavam. Hoje, o livro seria diferente. Será diferente, pois não descarto retomá-lo com uma nova perspectiva. Quando abrimos as páginas de um livro, de certa forma somos mosquinhas acessando tanto a história fictícia que foi criada, como as emoções do próprio autor, veladas ou não. Ler não deixa de ser uma bisbilhotice na mente de quem se utilizou da escrita para se expressar. É importante ler livros, assim como ler pessoas — não só as palavras que elas dizem, como seus olhares, expressão corporal, silêncios. O ser humano é todo ele uma linguagem. Tenho assistido episódios da versão americana da série “Em terapia” (que inspirou a nossa, com Selton Mello), e fico impactada diante do espetáculo emocionante que é ver homens e mulheres descobrindo quem são, e por que são. Voyeurismo fascinante. A terapia coloca o paciente no microscópio e o disseca. Ele é levado a abandonar a narrativa viciada que conta para si e para os outros, sua vida explicada em uma sinopse de cinco linhas. Aos poucos, ele começa a trocar essa sinopse pela exploração de outros ângulos da sua intimidade. E, através deles, a construir uma nova versão da própria história, menos dourada e menos simplista. É um processo trabalhoso e arriscado: ficamos nus e nossos armários ainda estão vazios, não há o que vestir. Quem é, afinal, essa pessoa que emerge depois de tantas consultas, de tantas lágrimas e desabafos? É alguém que, humildemente, alcançou as verdades que mantinha ocultas. Dá para entender por que tanta gente evita fazer terapia e passar por essa transformação estrutural profunda. É um parto doloroso, mas a coragem costuma ser recompensada. Uma mosquinha que pense estar apenas bisbilhotando, estará na verdade tendo o privilégio de ver uma borboleta desabrochar. Se bobear, talvez até seja ela mesma.
Fazer terapia é um parto doloroso, mas a coragem costuma ser recompensada
Se eu fosse uma mosquinha, adoraria ver alguém descobrir quem é






