Nesta quarta-feira, mais de 111 mil pessoas haviam assinado uma petição da organização Good Law Project que reivindica 'uma investigação pública imediata para garantir uma imprensa responsável' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Professor de Cambridge acusado de plágio, Jason Arday foi encontrado morto em Londres dias após apresentar carta de reúncia — Foto: Anselm Ebulue/Simon & Schuster/NYT As acusações de plágio e mentiras proferidas contra o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge, Jason Arday — que foi encontrado morto na tarde da última sexta-feira — abriu um debate sobre o papel da imprensa e se a pressão exercida sobre o docente contribuiu para um eventual suicídio. Na noite de segunda-feira, milhares de pessoas homenagearam o professor, de 41 anos, em Londres, e não esconderam sua indignação com os veículos de comunicação, aos quais muitos se recusaram a conceder entrevistas. Os cartazes erguidos entre a multidão resumiam bem as críticas. "249 matérias em 22 dias", fazendo referência ao número estimado de publicações desde julho sobre as acusações de plágio ou as afirmações que o docente teria feito sobre sua trajetória. Nesta quarta-feira, mais de 111 mil pessoas haviam assinado uma petição da organização Good Law Project que reivindica "uma investigação pública imediata para garantir uma imprensa responsável". Para essas pessoas, os jornais britânicos são, a lado do racismo, os principais responsáveis pela morte de Jason, cujo corpo foi localizado em sua casa, em Battersea, no sul de Londres, nove dias após sua demissão da Universidade de Cambridge. A hipótese de suicídio parece não levantar dúvidas, embora nem a família e nem a polícia a tenham confirmado. Até o momento, a causa da morte não foi informada. A jornalista Sarah Ditum, autora de reportagens sobre o caso para o jornal The Times, questionou se havia "se equivocado ao escrever tanto sobre Jason Arday", antes de concluir que não. 'Calmaria informativa' Ditum chegou à conclusão que a história — na qual se misturavam racismo e críticas às políticas de diversidade, no centro das atuais guerras culturais — havia ganhado força graças à calmaria do verão europeu. A jornalista indicou que Arday era uma "estrela" que "tinha escolhido estar sob os holofotes", acrescentando que ele mesmo mitificou sua trajetória, que incluía a incrível ascensão de um menino autista até o topo da hierarquia universitária. O jornal Guardian, que também investigou o docente, assegurou que simplesmente havia "tentado estabelecer a verdade". — Os jornalistas que fizeram seu trabalho de maneira responsável não deveriam ser submetidos a uma enxurrada de insultos — defendeu o jornal em uma coluna. O episódio colocou sob holofotes os métodos de uma parte da imprensa britânica, especialmente dos tabloides, que às vezes se aprofundam demais na vida privada das pessoas. O Daily Mail considerou que a mídia tradicional havia realizado um "trabalho de investigação legítimo", mas que as redes sociais fizeram com que a história "saísse do controle", atraindo pessoas "racistas". Em um comunicado, o órgão britânico de regulação da imprensa (Ipsos, na sigla em inglês), indicou que havia recebido e estava analisando "um grande volume de denúncias e preocupações" relacionadas à cobertura do caso. Renúncia após acusações Em 5 de agosto, Arday renunciou ao cargo de professor de sociologia da educação em Cambridge, poucas horas após a instituição anunciar uma investigação sobre sua contratação e permanência. Os familiares do docente afirmaram que ele havia sido alvo de uma "campanha contínua de abusos" por mais de três anos, desde que assumiu o cargo. "A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas", afirmou a família em nota. O acadêmico havia se tornado, em 2023, tornando-se o professor negro mais jovem da universidade. Sua trajetória pessoal também ganhou destaque pela história de superação. Ele contou ter permanecido sem falar até os 11 anos e não ter aprendido a ler e escrever até o fim da adolescência.
Imprensa britânica é criticada após morte de professor negro mais jovem de Cambridge
Nesta quarta-feira, mais de 111 mil pessoas haviam assinado uma petição da organização Good Law Project que reivindica 'uma investigação pública imediata para garantir uma imprensa responsável'













