O que impede o Brasil de crescer? A agenda verde pode ser o maior motor de crescimento do Brasil? Respostas para essas perguntas foram o foco do quarto encontro do Brasil Adiante, projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. Em dois painéis nesta quarta-feira, 19, especialistas discutiram caminhos para destravar a infraestrutura, garantir segurança energética e hídrica e conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade e proteção da Amazônia.Veja os painéis e convidados:Painel 1: Infraestrutura, Energia e SaneamentoPainelistas: Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados; Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES; e Venilton Tadini, presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). Mediação de Renée Pereira, editora-adjunta de Economia do Estadão.Painel 2: Meio Ambiente e AmazôniaPainelistas: Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e enviada especial da presidência da COP-30 para o setor empresarial; Pedro de Camargo Neto, doutor em engenharia pela USP, pecuarista, ex-presidente de entidades de classe, ex-secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); e Roberto Waack, membro do conselho de administração da MBRF e do Instituto Arapyaú. Mediação de Cristiane Barbieri, repórter especial do Estadão.Na foto, Gesner Oliveira, Luciana Costa e Venilton Tadini. Mediação de Renée Pereira. Foto: Felipe Rau/EstadãoVeja o cronograma do Brasil Adiante:27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde) (veja como foi);23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado) (veja como foi);19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade; (veja como foi)27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;Setembro: Entrega da agenda de soluções aos candidatos.Acompanhe ao vivo11h2819/08/2026Termina o segundo painel do Brasil Adiante. O próximo encontro será um consolidado das propostas debatidas durante o ciclo. Segundo o curador do projeto, Fabio Barbosa, o documento será aberto para assinaturas da sociedade civil.11h2119/08/2026Grossi cita ativos que o Brasil já tem e podem avançar com previsibilidade e segurança jurídica, como a eletrificação da frota de veículos, o combustível sustentável de aviação e os biocombustíveis. “O Brasil precisa costurar soluções climáticas que o mundo pode precisar, colocar o que nos interessa nesta equação, e precisa de um plano para isso”, afirma, projetando que o País pode capturar as vontades do mercado se pensar grande, priorizar o tema e estruturar as soluções.11h1719/08/2026Pedro de Camargo Neto defende uma “política pública clara” para os assentamentos da Amazônia. Segundo o especialista, a população dos assentamentos pode ser empregada em projetos de reflorestamento do local.Publicidade11h1219/08/2026Embora o Brasil tenha atingido bons resultados na redução de desmatamento com o “comando e controle”, ou seja, o monitoramento e ações de fiscalização nos últimos anos, o País precisa cuidar da população amazônica, com o choque de infraestrutura para atender as necessidades de quem mora na região, a valorização do capital natural e dos serviços ecossistêmicos para geração de recursos e a resolução da questão fundiária por meio de um sistema de digitalização radical.11h0819/08/2026Para Marina Grossi, é necessária uma “política de Estado” que explore as potencialidades do agronegócio, conciliando-as com questões de conservação ambiental, como tecnologias de rastreabilidade dos produtos.11h0519/08/2026Roberto Waack afirma que o agro é um setor grande, com muita gente distante do desmatamento e que realiza boas práticas, enquanto boa parte da derrubada de mata está atrelado à questão fundiária e à conquista de territórios. “O Brasil tem instrumentos, falta vontade política”, diz, citando o combate ao crime na Amazônia, tanto do governo federal quanto dos Estados. Ele cita ferramentas como o monitoramento por satélite, mas também outras que precisam ocorrer, como a digitalização dos cartórios, e também a necessidade de um olhar para assentamentos de pessoas sem-terra, que muitas vezes receberam a terra e nenhum outro auxílio ou infraestrutura.Publicidade10h5719/08/2026“A PF não está preparada para a envergadura que é enfrentar o crime organizado na Amazônia”, disse Pedro de Camargo Neto sobre a preservação da região.10h5219/08/2026Marina Grossi cita que é necessário ter segurança jurídica e, mais do que isso, boas políticas para pequenos produtores. “Não existe uma bala de prata”, afirma, mencionando a necessidade de bons projetos, de crédito e de ajuda para cumprimento de critérios ambientais, como os de rastreabilidade da União Europeia. A especialista projeta que, no ciclo de ajuste fiscal a ser feito, será necessário priorizar o tema ambiental.10h4319/08/2026Para Waack, são necessárias políticas públicas que trabalhem de forma adequada os “serviços ecossistêmicos”, ou seja, o reconhecimento das formas como os biomas sustentam a vida dos seres humanos através da regulação do clima. No caso do Brasil, por exemplo, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste dependem da Amazônia para ter chuvas abundante para a agricultura, no fenômeno conhecido como “rios voadores”. “Além de reconhecer, precisa remunerar”, concorda Pedro de Camargo Neto, que diz que o produtor é o maior interessado.Publicidade10h4019/08/2026Roberto Waack, membro do Conselho de Administração da MBRF e do Instituto Arapyau, avalia que a Amazônia precisa de um “choque de infraestrutura”, em áreas como saneamento, transporte, internet e energia. “Quando a gente discute Amazônia, o ponto central deveria ser infraestrutura. Precisamos despolarizar essa discussão”, cita. Waack também menciona a questão fundiária e a necessidade de organizar os territórios para evitar o avanço do crime. “São 17 facções operando na Amazônia. A criminalidade assumiu o papel do Estado em várias frentes”, reforça.