Tanto o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o de Flávio Bolsonaro (PL) fazem inúmeras promessas, mas evitam detalhar como o país vai equilibrar as contas públicas, afirmam à Folha economistas que analisaram os textos.
Segundo eles, o resultado de arrecadação e despesa da União será central nos próximos anos, independentemente de quem vencer a eleição. Nenhum dos dois programas, no entanto, deixa clara a forma de lidar com esse tema.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que é normal que questões importantes e impopulares fiquem de fora dos planos de governo, e isso é o que aconteceu nesses dois casos. Ele afirma que não há muita discussão sobre como enfrentar as emendas parlamentares ou mudanças na Previdência, na saúde e na educação.
Para ele, o programa de Flávio tem uma incoerência interna porque promete corte de gastos e impostos ao mesmo tempo, em que sinaliza aumento de despesas em áreas como infraestrutura e segurança pública, com construção de presídios. O programa do PT fala menos em cortes: a ideia é controlar o aumento do gasto, o que, aliado a uma retomada do crescimento, garantiria um resultado fiscal primário positivo.
Gustavo Pessoa, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que os dois programas só mostram as partes mais populares, e não as que podem ter algum impacto negativo para os eleitores. Para ele, o texto de Lula reforça a continuidade de um perfil de Estado indutor, provedor e intervencionista, semelhante ao dos três mandatos anteriores de Lula. Já o de Flávio tenta marcar posição como um liberal, com a promessa de reduzir a dívida e cortar impostos, mas sem detalhar quem arcará com o ônus desses ajustes.










