A perspectiva da morte é tão aterradora para nossa espécie que aqueles que se põem a vender produtos para evitar ou adiar o desfecho final não precisam se esforçar muito para prosperar. É como se pedíssemos para ser enganados. De drogas milagrosas e rotinas saudáveis a propostas mais exóticas como congelar o corpo à espera de curas futuras ou fazer um download de consciência em disco rígido, sempre haverá alguém disposto a acreditar e comprar.

Um antídoto contra essas engabelações é "Por Que Morremos", de Venki Ramakrishnan. O autor é um cientista de primeira —ganhou um Nobel por desvendar segredos do ribossomo— e não está vendendo nada. Minto. Ele está vendendo o livro, mas a obra não traz promessas mirabolantes que exijam pagamentos continuados.

Ramakrishnan começa com a biologia do envelhecimento. A morte não precisaria ser inevitável. Há espécies, como algumas águas-vivas, que podem ser descritas como imortais. Mas, quando olhamos para seres mais complexos de reprodução sexuada, o envelhecimento se torna quase universal. Um primeiro balde de água fria é que parece haver um limite máximo de tempo de vida para humanos, que estaria em torno dos 110 anos.

O autor vai além e mostra o que efetivamente funciona para prolongar a vida. E aí outra má notícia. É a restrição calórica. Bichos e pessoas que comem muito pouco, no limite da inanição, vivem mais. Muita gente, com muita razão, recusaria esse tipo de barganha envolvendo um dos grandes prazeres da vida.