[RESUMO] Diante de uma globalização esgarçada, da qual os EUA tentam se retirar e a China é parte cada vez mais relevante, incertezas enfraquecem os países do Mercosul, que precisam do bloco para se distanciar do fogo cruzado entre as duas potências. O acordo bilateral entre os EUA e a Argentina fere os princípios do bloco sul-americano, ao mesmo tempo em que o governo Trump eleva tarifas de produtos do Brasil. Riscos ao Mercosul deveriam ser pauta na campanha eleitoral, ainda que o resultado do pleito não mude o quadro sombrio gerado pelas ações coercitivas dos EUA na região.

Há tempos, parte do debate público vem proclamando o fim da globalização. A tese se ampara em um punhado de inferências: por exemplo, as cadeias produtivas voltariam para casa, o protecionismo seria duradouro, a segurança nacional teria aposentado o cálculo econômico e as grandes potências reorganizariam suas relações segundo critérios geopolíticos.

O diagnóstico é correto, mas o atestado de óbito é prematuro.

O mundo continua interessado na globalização, como revela a proliferação de acordos comerciais desde que os Estados Unidos decidiram promover uma desglobalização seletiva. Tarifas, sanções, controles tecnológicos, restrições a investimentos e, sobretudo, o conflito com a China vêm mudando a natureza das relações do país com o resto do mundo.