Gerando resumoFoto: Inst Energia PUC/RJDavid ZylberstajnEx-presidente da ANPRIO - A descoberta de óleo no poço pioneiro Morpho, na Margem Equatorial brasileira, anunciada pela Petrobras nesta sexta-feira, 14, vai mudar a geopolítica nacional se a região virar realmente uma nova província petrolífera do País, avalia o professor do Instituto de Energia da PUC Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Zylbersztajn afirma que a incidência de petróleo no local é uma grande notícia mesmo que ainda não se saiba qual o tamanho da reserva, até porque a descoberta veio muito rápida. Ele lembra que a Exxon precisou perfurar 64 poços para encontrar petróleo na Margem Equatorial, do lado da Guiana.Leia a seguir os principais trechos da entrevista:PublicidadeO que representa a descoberta para a Petrobras e, por consequência, para o Brasil?Primeira coisa, representa o que é necessário para um País que produz petróleo, ou para uma empresa que produz petróleo. Para a Petrobras, é a recomposição de reservas. Uma empresa vive de produzir e recompor reservas. E o Brasil estava chegando, vamos dizer assim, numa situação mais ou menos delicada, de que as grandes reservas estavam começando a entrar em processo de decadência. O que é natural com uma exploração de um bem finito como o petróleo.Ainda não foram informados detalhes. Como saber se realmente a descoberta é promissora?Eu acho ótimo, mesmo sem dados, pelo seguinte: poderia não ter descoberto nada, descobrir que não tinha petróleo. A Exxon, na Guiana, só descobriu o petróleo depois de furar 64 postos. É muito bom como início. É um processo.Leia tambémPetrobras anuncia ter encontrado petróleo na bacia da Foz do Amazonas, na Margem EquatorialLula vai usar descoberta de petróleo na Foz do Amazonas como aposta do mote ‘Brasil pronto pra mais’Se a operação crescer com a descoberta, a distância do Amapá em relação às operações da Petrobras não pode ser um obstáculo para desenvolver uma grande província petrolífera?Não, o poço está a 175 quilômetros do Amapá e a Petrobras tem uma super base no Oiapoque. Ela já tem infraestrutura lá. Sim, é uma região nova, uma área nova, mas eu diria que, se você pegar o histórico da Petrobras, é uma empresa que passou os últimos 50 anos quebrando barreiras tecnológicas. E ali você já tem outras explorações em áreas vizinhas, nas Guianas. Sendo que a Petrobras sempre foi ponta em termos de qualidade tecnológica, de poder superar essas dificuldades. O pré-sal, por exemplo, é uma delas. Então eu acho que, se houver (obstáculo), eu não antevejo nenhuma dificuldade intransponível para a Petrobras.O indício de óleo pode atrair outras empresas para a exploração da bacia da Foz do Amazonas?Acho que sim. E eu acho uma coisa que é mais importante ainda, e pouco se falou, mas acho que vai ter de começar a se falar. Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região.Vale ler tambémUm dia histórico na ANP: agência cumpre o seu papel de reguladora independenteUma Odisseia para estudar: quais lições sobre o colapso de uma era os Povos do Mar deixaramO Brasil tem instrumentos; não tem estratégia