Amizades e namoros virtuais são usados para atrair crianças e adolescentes a um ciclo de chantagem e violência na internet. Com uma imagem íntima em mãos, os agressores, que atuam de forma organizada, ameaçam expor a vítima caso ela não cumpra novas ordens.

Inquéritos da Polícia Civil aos quais a Folha teve acesso mostram que o aliciamento não começa com uma ameaça. Primeiro, o agressor inicia uma conversa em um jogo, responde a um comentário nas redes sociais ou demonstra interesse pelo mesmo assunto.

Depois das primeiras mensagens, o agressor leva a vítima para outro aplicativo. Aos poucos, o desconhecido passa a ocupar o lugar de amigo, confidente ou namorado.

A delegada Lisandréa Zonzini Salvariego Colabuono, coordenadora do Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil de São Paulo, afirma que esse vínculo pode ser cultivado durante meses antes da primeira chantagem.

Uso do Discord voltou a ganhar atenção após a suspensão aplicada pela ANPD à plataforma após um caso de indução ao suicídio de uma adolescente de 13 anos - Uladzimirzuyeu/Adobe Stock