O caso de uma adolescente de 13 anos que morreu durante uma transmissão ao vivo no Discord acende um alerta sobre como pais e responsáveis podem identificar se os filhos estão participando de grupos na internet que estimulam comportamentos de risco.
Segundo investigação da polícia, a menina teria sido induzida por um grupo à automutilação. Ela morava em Naviraí, município a 355 quilômetros de Campo Grande (MS). A Polícia Civil do estado cumpriu sete mandados judiciais (seis de busca e apreensão contra adolescentes e um de prisão contra um adulto) em cinco estados e identificou ao menos uma segunda vítima. Depois do episódio, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no país.
O termo suicídio não deve ser usado de forma automática em casos de coerção grave, a ponto de apagar a participação de quem ameaçou, coagiu ou conduziu a vítima a uma situação extrema, diz Karen Scavacini, doutora em psicologia e fundadora do Instituto Vita Alere, de prevenção e posvenção do suicídio, em São Paulo (SP).
Embora o ato possa ter sido realizado pela própria vítima, um processo causal fortemente determinado por terceiros muda a avaliação clínica, as medidas de proteção e a compreensão do que aconteceu, segundo ela. A classificação jurídica de um caso concreto, pondera, cabe à investigação.













