A notícia de que uma adolescente de 13 anos se automutilou e cometeu suicídio ao vivo em uma transmissão no Discord é estarrecedora. O caso aconteceu em julho, em Nivaraí, município a 355 quilômetros de Campo Grande, mas veio a conhecimento público neste mês, com informações sobre a apreensão de cinco menores de idade e a prisão de um jovem de 18 anos, todos acusados de incentivar a adolescente a atos de violência extrema. As operações policiais ocorreram em diversos estados: Mato Grosso do Sul, Pará, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) abriu um processo de fiscalização contra o Discord e suspendeu, nesta quarta (12), lives na plataforma. A empresa, por sua vez, negou omissão e afirmou ter fechado o grupo antes da morte da garota. Também entregou à AGU (Advocacia-Geral da União) uma proposta para aumentar a segurança de crianças e adolescentes na rede.

Os relatos de crimes praticados no Discord não são, infelizmente, novidade. Há pelo menos três anos, diversas reportagens vêm denunciando a variedade de delitos cometidos por adolescentes e adultos em servidores privados, como maus-tratos a animais, compartilhamento de pornografia infantil, divulgação de dados pessoais e disseminação de discursos de ódio.