Todas as quartas e quintas-feiras, por volta das 19h30, um grupo de ciclistas deixa a estação Marechal Deodoro, na região central, e pedala pelas ruas de São Paulo. Um dia sobe a avenida Angélica e desce a Rebouças; no outro, cruza a avenida Paulista até o parque do Ibirapuera. Parece um grupo de pedal como qualquer outro. A diferença é que metade dos ciclistas não enxerga.

É essa a proposta do Blind Sports, projeto criado em 2020 que reúne pessoas cegas e com baixa visão e voluntários para pedalar pela cidade.

"Nosso objetivo é fazer o que qualquer grupo de ciclismo faz em São Paulo: a pessoa cega vai subir a Consolação, vai fazer força para subir a Brigadeiro", diz a fundadora do projeto, Bia Santana, 41, que perdeu a visão aos 27 anos por complicações do diabetes.

"Vivemos em uma sociedade em que a pessoa com deficiência não pode realizar nada. As pessoas acham que o cego tem que ficar sentado. 'Ah, um skate? Você vai cair.' Eu vou cair e você também vai. Isso faz parte do esporte e do equilíbrio, não da cegueira."

Além dos passeios noturnos, o grupo organiza cicloviagens de fim de semana para cidades como Aparecida, Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, Salesópolis e Santos. Eventualmente, também oferece oficinas de skate e patins para pessoas com deficiência visual.