No admirável mundo dos aplicativos já não se fala "bom dia". Motoristas, entregadores, interlocutores de diversos serviços, motivados por alguma ferramenta de aperfeiçoamento do empreendedorismo, despedem-se dos clientes com saudações calorosas, desproporcionais, otimistas: "ótimo dia", "excelente dia".

A escalada dos cumprimentos pode prosseguir ("maravilhoso dia", "magnífico dia", "esfuziante dia"), não desperta atenção política, não disfarça os rancores sociais, mas é um cacoete verbal dos novos tempos –tempos de mentiras descaradas, verdades indecentes, vilanias e frustração.

Trump avisa que o domínio das Américas nunca mais será questionado. A sinceridade do anúncio impressiona –é o imperialismo sem sutilezas ou disfarces. Trump invadiu a Venezuela, pegou o petróleo, e ameaça a Groenlândia, Cuba, Canadá, Panamá, México e Brasil.

A movimentação diplomática dos EUA a favor do golpe de 64, em busca de "dias melhores", livres do perigo comunista, era mais discreta. A intromissão de Trump na eleição brasileira é transparente, previsível, declaratória: não há pudor, a conspiração não é protegida por segredos de Estado. Paira nas redes sociais como ideal e conta com apoio entusiasmado ou sem alarde de candidatos e autoridades brasileiras.