Neste mês de agosto, a Universidade Federal de Pernambuco comemora 199 anos. A data celebra a fundação da Faculdade de Direito do Recife, em 1827, que mais tarde seria incorporada à UFPE.

É de fato uma data importante que merece ser celebrada, esquentando-se os tamborins para o bicentenário no ano que vem. Entre as diversas comemorações, uma em especial chamou a atenção —a celebração de um culto ecumênico.

O convite veio por email oficial e também foi postado na página da UFPE no Instagram. O culto aconteceu nesta sexta-feira (14), no auditório da reitoria em Recife, a poucos metros do gabinete do reitor. Contou com a presença de um padre católico, um pastor evangélico, um reverendo anglicano, um babalorixá do candomblé e uma representante espírita.

Sou professor da UFPE há mais de dez anos. Antes disso, cursei graduação, mestrado e doutorado em universidade pública. Também fui professor substituto em instituições superiores públicas no Maranhão, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. E várias vezes me espantei com a penetração da religião na academia brasileira. Há desde as formas mais ingênuas às mais sofisticadas.

Entre as mais banais, todo ano presencio um fato que sempre me incomoda. Anualmente, há a chegada dos calouros na faculdade onde trabalho e o diretório acadêmico organiza uma apresentação.