Eles são acusados de obstrução de investigações da Polícia Federal no Rio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar — Foto: Julia Passos/Alerj O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (14) para tornar réus por obstrução de investigações da Polícia Federal (PF) o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar; o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e mais duas pessoas. O magistrado votou para receber a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentada contra os envolvidos em março. Eles são investigados por vazarem informações sigilosas da operação Zargun, que apura a infiltração da facção criminosa Comando Vermelho na administração estadual do Rio de Janeiro. O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma do STF. A análise do caso vai até às 23h59 da próxima sexta-feira (21). Além de Moraes, fazem parte do colegiado os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Ao se manifestar, Moraes afirmou que há evidências de que “as ações de obstrução praticadas pelos denunciados foram direcionadas para frustra as medidas cautelares pessoais e probatórias deferidas em desfavor de pessoas investigadas por integrar a organização criminosa ‘Comando Vermelho’, em especial o então deputado Estadual THIEGO RAIMUNDO DE OLIVEIRA SANTOS”. O ministro também votou para rejeitar uma das nulidades apontadas pela defesa de Júdice Neto sobre a falta de competência do STF para relatar o caso, uma vez que não haveria o envolvimento de pessoa com foro privilegiado na Corte. Para Moraes, no entanto, há uma “evidente conexão” entre os crimes investigados no caso e outros apurados em inquérito mais abrangente que envolve pessoas com prerrogativa de foro. Segundo o magistrado, é necessário manter o caso no Supremo porque a prova das supostas infrações e outras circunstâncias elementares podem influenciar diretamente nas investigações que envolvem autoridades que devem ser julgadas pela Corte. “É o caso de manter a competência perante esta SUPREMA CORTE, uma vez que a prova das infrações supostamente cometidas ou, ainda, as suas circunstâncias elementares, podem influir diretamente nas investigações envolvendo investigado e denunciado com prerrogativa de foro, a comprovar que, de fato, as infrações praticadas e investigadas nos inquéritos mencionados possuem estreita relação, conforme pacificado no STF, que reconhece como válida a atração da competência da CORTE, por fatos praticados conjuntamente com acusado que não ostenta prerrogativa de foro, na hipótese de continência por cumulação subjetiva”, afirmou Moraes em seu voto. Obstrução de investigação Segundo a PGR, os envolvidos teriam atuado em conjunto e com participação de um funcionário público para obstruir a investigação de crimes que envolvem organização criminosa armada, tendo atrapalhado o êxito da Operação Zargun, em setembro de 2025. Em março, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Jéssica Oliveira Santos (mulher de TH Joias), Macário Ramos Júdice Neto, Rodrigo Bacellar, Thárcio Nascimento Salgado e Thiego Raimundo de Oliveira Santos (TH Joias) pelos crimes de obstrução de investigação que envolva organização criminosa armada. No caso de Júdice Neto, também acusou o desembargador de violação de sigilo funcional e Thárcio pelo crime de favorecimento pessoal. A denúncia afirma que Júdice Neto vazado antecipadamente a Bacellar decisões suas autorizando medidas cautelares sigilosas na operação, como a determinação de transferir um dos membros do Comando Vermelho para o Sistema Penitenciário Federal. Na ocasião, o desembargador teria preservado TH Joias dessa medida. De acordo com a PGR, em setembro de 2025, Bacellar, então presidente da Alerj, teria avisado ao então deputado TH Joias que ele seria preso no dia seguinte, na Operação Carne e Unha. A denúncia narra uma conversa entre os dois parlamentares um dia antes da operação que apurava a suspeita de vazamento de informações sigilosas. Em troca de mensagens, TH Joias conta a Bacellar que ele teria trocado de telefone. No dia seguinte, quando a operação contra TH Joias foi deflagrada, a Polícia Federal (PF) não encontrou o ex-deputado em sua residência no Rio de Janeiro. Ele foi localizado depois, na casa de Thárcio, seu assessor. Na ocasião, segundo a PGR, a PF teria encontrado o seu gabinete na Alerj vazio. Jessica, por sua vez, é acusado de ser cúmplice do marido ao ajudá-lo a retirar os pertences de sua casa e levá-los para outro lugar. Bacellar foi preso em dezembro, suspeito de estar envolvido no caso. Ele foi solto posteriormente, por decisão da Alerj, e passou a usar tornozeleira eletrônica, mas se licenciou do cargo de chefia da Casa. No entanto, foi preso novamente em março deste ano, após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder político e econômico no caso da Ceperj, junto do ex-governador Cláudio Castro (PL). Ex-deputado estadual Thiego Santos, conhecido como TH Joias — Foto: Reprodução/X - TH Joias