É esperado impacto em carteiras como seguros de vida, residenciais, patrimoniais e de infraestrutura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sismo de magnitude 7,4 — o mais forte a atingir o país em décadas — afetou principalmente cidades da região cafeeira, como Pereira, e Cali — Foto: Santiago Saldarriaga/AP Photo Passados alguns dias do terremoto que atingiu a Colômbia e provocou mais de 280 mortes, o mercado segurador e ressegurador começa a avaliar a extensão dos danos. Ainda não há uma estimativa oficial do volume de indenizações e de quanto isso deve significar para o setor, mas é esperado impacto em carteiras como seguros de vida, residenciais, patrimoniais e de infraestrutura. Dados preliminares da Federação de Seguradores Colombianos (Fasecolda) apontam que 442,5 mil imóveis localizados nos 105 municípios mais afetados têm cobertura para terremoto, incluindo desde residências até imóveis empresariais, hospitais e escolas. No país todo, são 2,2 milhões de imóveis com a mesma cobertura. “Embora a quantificação inicial das perdas já esteja sendo realizada por meio de modelos de catástrofes e imagens de satélite, a designação de peritos para vistorias presenciais e a ativação formal das coberturas de seguro ainda estão em fase inicial. A extensão final dos prejuízos dependerá das inspeções estruturais e da evolução dos avisos de sinistros”, diz Beatriz Protasio, presidente de resseguros para o Brasil na corretora global Aon. O ressegurador IRB(Re) estima um impacto líquido de US$ 17,5 milhões com os sinistros relacionados ao evento em seus resultados futuros. A Colômbia é um mercado estratégico para a companhia, que está em contato permanente com os clientes na região para que as indenizações cheguem às famílias e comunidades afetadas da forma mais ágil possível, disse Daniel Volpe, diretor técnico e de retrocessões do IRB(Re). O terremoto de magnitude 7,4 — o mais forte a atingir o país em décadas — afetou principalmente cidades da região cafeeira, como Pereira, mas também Cali, onde foram registrados danos em edifícios, interrupções em serviços públicos e vítimas fatais. Também houve efeitos, ainda que mais limitados, em cidades maiores, como Bogotá. Além do evento principal, que ocorreu na segunda-feira (10), foram registradas réplicas nos dias seguintes, o que exige atenção contínua nas próximas semanas, segundo Protasio, da Aon. “Ainda é cedo para uma avaliação mais aprofundada, mas o evento tende a afetar especialmente os setores de construção e mercado imobiliário, indústria, infraestrutura e energia, além de gerar impactos relacionados à interrupção de negócios e às cadeias de fornecimento”, disse. O caso, segundo ela, se insere em um contexto regional de elevada exposição a eventos naturais. Relatório recente da Aon sobre eventos do primeiro semestre destaca as inundações registradas na Colômbia em fevereiro, que geraram perdas estimadas em US$ 2,2 bilhões, além do terremoto na Venezuela, que foi o evento mais custoso da região no período. No Brasil, tempestades severas, inundações, deslizamentos de terra e uma seca prolongada provocaram perdas estimadas em US$ 1,29 bilhão na primeira metade deste ano. A Colômbia, assim como o Brasil, enfrenta o desafio de ampliar a penetração dos seguros. “Embora hoje exista maior consciência sobre os riscos, muitas pessoas ainda enxergam o seguro como um gasto, e não como um instrumento de proteção e estabilidade financeira”, disse Gustavo Morales, presidente da Fasecolda, ao Valor, em reportagem publicada em julho. Segundo Morales, durante muitos anos, a oferta de seguros na Colômbia permaneceu concentrada nos segmentos urbanos e de renda média e alta, enquanto as regiões rurais e as populações mais vulneráveis tinham acesso limitado às coberturas ou encontravam produtos difíceis de compreender. “Por isso, há também o desafio de crescer de forma inclusiva e alcançar a economia popular”, disse.