Cidade no coração do Eixo Cafeeiro fica a cerca de 55 km do epicentro do tremor, que foi sentido com força em diferentes pontos da região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas buscam sobreviventes em meio aos escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026 — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP Pereira, no coração da região cafeeira da Colômbia, está entre as cidades mais atingidas pelo terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu o oeste do país na segunda-feira. Localizada a cerca de 55 quilômetros do epicentro, a cidade de aproximadamente 500 mil habitantes registrou desabamentos, pessoas soterradas, interrupções no fornecimento de serviços básicos e danos em diferentes pontos da infraestrutura urbana. O comandante da Polícia Metropolitana de Pereira, coronel Óscar Leonel Ochoa Sánchez, informou à Rádio Caracol que a cidade contabilizava 47 mortos em um balanço preliminar. Segundo ele, havia também mais de 60 ou 70 edifícios colapsados. A contagem é local e pode mudar à medida que as equipes de emergência avançam nas áreas atingidas. O número contrasta com os primeiros balanços divulgados pela sala de crise de Pereira, que havia registrado 12 estruturas colapsadas — oito totalmente e quatro em risco de desabamento. A diferença reflete a evolução das avaliações realizadas pelas equipes de emergência após o terremoto. Sob os escombros Imagens verificadas pela BBC mostram a dimensão da destruição em diferentes pontos de Pereira. Na Praça Bolívar, principal praça do centro da cidade, um edifício desabou, lançando uma nuvem de poeira e escombros sobre o espaço onde havia pessoas reunidas. Pessoas buscam sobreviventes entre os escombros de casas que desabaram após um terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026 — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP Em outro ponto, um prédio residencial de quatro andares balançou antes de desabar no cruzamento das ruas 8 e 13. Imagens também mostram pelo menos uma construção destruída em um bairro de ocupação mais recente, próximo à Avenida Belalcazar. Vídeos divulgados após o terremoto mostram ainda postos de gasolina colapsados, grandes blocos de concreto espalhados pelas ruas e telhados de estabelecimentos comerciais que desabaram. O prefeito de Pereira, Mauricio Salazar, afirmou que havia pessoas feridas e outras presas sob os escombros. — Lamentavelmente, a situação é crítica — disse Salazar em entrevista à Rádio Caracol. Segundo as autoridades, 30 pessoas estavam desaparecidas em um dos primeiros balanços da emergência, algumas delas nas proximidades dos chamados Megacables, sistema de transporte por teleférico da cidade. Diante dos relatos de pessoas presas, bombeiros e equipes especializadas foram mobilizados para realizar buscas e tentar localizar sobreviventes sob os escombros. Serviços interrompidos A destruição também afetou serviços essenciais. O fornecimento de energia elétrica e gás foi suspenso preventivamente em diferentes setores de Pereira, segundo as autoridades, diante dos danos provocados pelo terremoto. Equipes de resgate buscam sobreviventes entre os escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026 — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP A interrupção dos serviços aumentou as dificuldades para moradores e equipes de emergência, enquanto as autoridades avaliavam a segurança de prédios e da infraestrutura urbana. O aeroporto de Pereira também foi afetado. Segundo a Aeronáutica Civil da Colômbia, o terminal, assim como os aeroportos de Manizales, Armênia, Cartago e Buenaventura, passou a ser utilizado apenas para voos médicos e governamentais, enquanto os danos eram avaliados. A autoridade de aviação civil informou ainda que seus grupos de combate a incêndios, busca e resgate estavam auxiliando as autoridades locais na avaliação dos danos à infraestrutura. Região mais atingida Pereira fica no departamento de Risaralda, no chamado Eixo Cafeeiro, região que também inclui cidades como Armênia e Manizales e que foi duramente atingida pelo terremoto. Em Armênia, as autoridades registraram 64 estruturas afetadas, incluindo unidades hospitalares. Pelo menos 64 feridos eram atendidos no Hospital San Juan de Dios e na rede de saúde local. A Defesa Civil também participava das operações em edifícios onde vivem pessoas com deficiência. Na região, foram registrados ainda deslizamentos na estrada entre Quimbaya e Alcalá. Uma mulher passa pelos escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, Colômbia, em 10 de agosto de 2026 — Foto: JAIME SALDARRIAGA / AFP A Cruz Vermelha mobilizou duas equipes de busca para atuar na região de La Granada. No sul de Armênia, 25 bombeiros trabalhavam no atendimento às emergências. O terremoto também provocou danos em cidades como Cali, Manizales, Quibdó e Buenaventura. Em Cali, autoridades relataram o colapso de dezenas de estruturas, enquanto equipes de bombeiros percorriam a cidade para avaliar prédios danificados. Perto do epicentro Pereira está entre as cidades mais próximas do epicentro do terremoto. O tremor ocorreu às 7h34 no horário local, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de aproximadamente 100 quilômetros, segundo o Serviço Geológico Colombiano. A distância relativamente curta entre Pereira e o epicentro ajuda a explicar a intensidade dos efeitos na cidade. O terremoto foi sentido em grande parte do oeste colombiano e também provocou danos em áreas mais distantes, como Bogotá. A região já possui histórico de terremotos destrutivos. Em 25 de janeiro de 1999, um tremor de magnitude 6,2 atingiu o Eixo Cafeeiro e provocou graves danos em Pereira e Armênia. Segundo dados oficiais colombianos, o desastre de 1999 deixou 1.186 mortos, cerca de 8.500 feridos e mais de 160 mil pessoas sem moradia. Buscas continuam Com prédios ainda sendo vistoriados e relatos de pessoas desaparecidas, o trabalho das equipes de resgate continua em diferentes pontos da cidade. O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, afirmou que iria pessoalmente a Pereira para acompanhar a resposta às áreas atingidas e prestar solidariedade às vítimas. “Vocês não estão sozinhos. O governo está presente e tomando providências”, escreveu o presidente na rede social X. O governo colombiano declarou desastre de caráter nacional após o terremoto, permitindo a mobilização mais rápida de recursos para atender às áreas afetadas. O presidente também determinou a criação de um posto de comando para coordenar a resposta à emergência. A situação em Pereira, porém, ainda é dinâmica. Com equipes avançando sobre áreas atingidas e novos danos sendo identificados, os números de mortos, desaparecidos e estruturas destruídas podem aumentar nas próximas horas. (Com AFP, El Tiempo e New York Times)