Calor recorde e seca, que cientistas associam às mudanças climáticas, criaram condições ideais para as chamas florestais em todo o continente europeu neste verão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiros trabalham em uma área em chamas perto de Loumpa, enquanto incêndios florestais atingem a região da Ática Ocidental, na Grécia, em 3 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Louisa Gouliamaki/Foto de arquivo Um incêndio florestal atingiu casas durante a madrugada em uma pitoresca cidade turística da Croácia, deixando uma pessoa morta e 40 feridas e forçando a retirada de 1.200 pessoas, disseram autoridades locais. Ao mesmo tempo, a União Europeia alertava que áreas com condições “extremamente severas” para incêndios florestais se espalhavam pelo continente. Centenas de outras pessoas foram retiradas de uma área turística litorânea no norte da Grécia e de uma vila no sudoeste da França, enquanto um grande incêndio em vegetação atingiu casas na Inglaterra, segundo autoridades. O calor recorde e a seca, que cientistas associam às mudanças climáticas, criaram condições ideais para incêndios florestais em toda a Europa neste verão, especialmente na França, na Espanha e na Grécia. A região dos Bálcãs também enfrentou várias ondas de calor. Moradores e turistas descreveram cenas de caos no momento em que fugiam de carro de um incêndio nos arredores de Omis, cidade turística na valorizada costa da Dalmácia, na Croácia, cercada por árvores e colinas rochosas. “As chamas lambiam os dois lados da estrada. Quando avancei um pouco mais, fiz a curva e olhei, vi chamas saindo debaixo do capô. O carro estava pegando fogo!”, disse a moradora Ljubica Uglesic. O incêndio, que deixou o céu noturno vermelho, parecia ter perdido força na manhã desta sexta-feira, segundo o comandante-chefe dos bombeiros, Slavko Tucakovic. As autoridades encontraram um corpo carbonizado. Das 40 pessoas atendidas em um hospital próximo, em Split, sete estavam em estado grave, informou a unidade de saúde. No norte da Grécia, pessoas usando máscaras de proteção, algumas carregando crianças ou animais de estimação, embarcaram em botes e outras embarcações na cidade litorânea de Siviri, em meio ao avanço das chamas que consumiam uma floresta e colunas de fumaça que transformavam o céu sem nuvens em um tom cinza-escuro. A Guarda Costeira informou que mais de 300 pessoas foram retiradas de barco da cidade, localizada em uma península de florestas, olivais e praias ao sul de Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia. Mais de 140 bombeiros, nove aviões e sete helicópteros foram mobilizados para combater as chamas, enquanto barcos de pesca participaram da retirada das pessoas. Um incêndio florestal se aproxima do balneário de Siviri, visto de uma embarcação usada na retirada de pessoas da região, na península de Halkidiki, Grécia, em 13 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/George Koutitas No Reino Unido, Simon Markey jogava golfe em Stourbridge, no centro da Inglaterra, quando viu um incêndio começar em um campo próximo e se espalhar rapidamente pelo campo de golfe, apesar dos esforços dos bombeiros para contê-lo. As chamas chegaram a uma área residencial, segundo o morador Paul Nash, cuja casa de um vizinho foi destruída pelo fogo. “Ouvi um grito, e todas as árvores ao longo da ferrovia estavam explodindo. Elas não estavam simplesmente pegando fogo, estavam explodindo. Então pegamos tudo o que conseguimos e fomos embora”, disse Nash. Na França, autoridades retiraram 525 pessoas da vila de Luglon depois que um incêndio florestal começou na região de Landes, no sudoeste do país, não muito longe de uma área já devastada por grandes incêndios neste verão. Na Espanha, equipes de emergência iniciaram na noite de quinta-feira uma operação para retirar os restos mortais de três reis que governaram a região de Aragão no século 11 de um mosteiro ameaçado por um incêndio florestal. Um incêndio ainda maior em Huelva, no sul da Espanha, já queimou 31 mil hectares e obrigou 700 pessoas a deixar suas casas. Aviões de combate a incêndios na Espanha já acumularam mais de 8.200 horas de voo neste ano, superando o total registrado em 2025, quando um recorde de 393 mil hectares foi queimado, afirmou a ministra do Meio Ambiente da Espanha, Sara Aagesen, no Bluesky. Condições ‘extremamente severas’ O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, alertou para condições “extremamente severas” em uma ampla área da Europa Central e Oriental, além de focos no sul do Reino Unido, Irlanda, norte da França e sul da Suécia, em sua previsão para a semana até 19 de agosto. Bombeiros combatem um incêndio florestal perto da vila de Agia Paraskevi, na Grécia, em 2 de agosto de 2026 — Foto: . REUTERS/Stelios Misinas/Foto de arquivo A temperatura máxima média na Europa Ocidental nesta sexta-feira estava prevista em 31,2°C, cerca de 8°C acima do padrão registrado entre 1961 e 1990, segundo dados do Reuters Climate Monitor. Considerando toda a Europa, a temperatura estava 1,6°C acima da média do período de 1961 a 1990. O verão quente e seco também provoca fortes impactos sobre a agricultura. O calor persistente e a seca podem reduzir pela metade a safra de milho da França neste ano e levar a produção da União Europeia ao menor nível em décadas, segundo analistas.