QG trata episódio como questão jurídica, avalia que problema foi resolvido e deixa investigação apontar responsável pela filiação irregular 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Convenção Nacional do PL oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo Com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência registrada na noite desta quinta-feira, o comando da campanha tenta virar a página da filiação irregular do senador ao Missão e evitar que o episódio se prolongue como uma frente de embate político. A avaliação na campanha é que o problema concreto foi resolvido com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restabeleceu o vínculo com o PL e que, daqui para frente, a discussão sobre a autoria da fraude deve ficar restrita à investigação. Nos bastidores, integrantes da campanha minimizam o episódio e o tratam como uma “molecagem” que provocou um transtorno momentâneo, mas não deixou consequências para a candidatura. Flávio conseguiu registrar sua chapa por volta das 19h desta quinta-feira, depois que o presidente do TSE, Nunes Marques, determinou a exclusão do vínculo com o Missão. A orientação de reduzir a temperatura política do caso ocorre mesmo depois de ataques do presidente do Missão e também candidato ao Planalto, Renan Santos. Após Flávio afirmar que havia sido vítima de fraude e dizer que “o sistema” tentaria impedi-lo de concorrer, Renan chamou o senador de “covarde” e levantou a possibilidade de a própria equipe do adversário ter participado do episódio. — Não, seu covarde. A malandragem foi feita no seu e-mail oficial. Temos todas as comprovações. Ou você foi hackeado ou seu time armou isso — escreveu Renan. Apesar das acusações, o comando da campanha de Flávio evita responder na mesma moeda ou responsabilizar o Missão pela fraude. Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que ainda não é possível dizer quem realizou a alteração e que a definição deve ficar a cargo das autoridades. — O Judiciário, após a investigação, vai determinar quem foi — afirmou Marinho. A postura é diferente da reação inicial ao episódio. Logo após a descoberta da alteração, Flávio publicou um vídeo em que atribuiu o caso ao “sistema” e acusou os responsáveis, sem identificá-los, de “jogar sujo”. — Vocês viram que fraudaram minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir, não, porque Deus está no comando. Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar. O Brasil vai vencer — disse. Passado o problema com o registro, porém, a campanha passou a tratar o caso prioritariamente pela via jurídica. Caso está sob investigação A filiação irregular foi descoberta na quinta-feira, quando a equipe de Flávio tentou registrar sua candidatura e constatou que o senador aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como integrante do Missão. A inserção do novo vínculo provocou automaticamente sua desfiliação do PL e impediu temporariamente o processamento do registro. O Missão afirma que também foi vítima da fraude. A legenda diz ter identificado uma tentativa de filiação desde 2 de agosto e sustenta que avisou o gabinete do senador por e-mail. Segundo o partido, as mensagens foram abertas, mas não respondidas. A sigla também afirma possuir logs, e-mails e endereços IP que serão entregues às autoridades. Um relatório produzido pela área de tecnologia do Missão e divulgado pelo partido mostra que o cadastro foi preenchido com informações provocativas. O endereço atribuído a Flávio aparece como “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ”. A autoria do preenchimento ainda não foi identificada. Nunes Marques considerou haver indícios suficientes de que Flávio não manifestou vontade de trocar de partido. O ministro destacou que o senador havia sido escolhido pelo PL para disputar a Presidência e que seria inverossímil uma migração voluntária para o Missão, que já tem Renan como candidato ao mesmo cargo. Além de restabelecer a filiação ao PL e liberar o registro da candidatura, Nunes determinou a preservação dos logs e registros de acesso ao sistema Filia e requisitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar “a autoria, as circunstâncias e o contexto” da alteração. O caso ganhou uma dimensão maior depois que a equipe técnica do TSE identificou uma tentativa de alterar também a filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse caso, a operação foi bloqueada antes de produzir efeitos. Diante dos episódios, a Corte suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações enquanto reforça a segurança do sistema.