Escândalo veio à tona em março, após denúncias feitas por um denunciante anônimo de que a KPMG teria usado informações confidenciais de clientes para disputar contratos de auditoria 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 “Muitos, muitos outros” denunciantes procuraram as autoridades para relatar casos de má conduta na KPMG Austrália, informou, nesta sexta-feira (14), uma comissão parlamentar que investiga supostos vazamentos de dados de clientes pela empresa, aumentando as preocupações com um padrão mais amplo de irregularidades. O escândalo veio à tona em março, após denúncias feitas por um denunciante anônimo de que a KPMG teria usado informações confidenciais de clientes para disputar contratos de auditoria. Inicialmente, a KPMG afirmou que as alegações não tinham fundamento. Desde então, porém, o diretor-presidente, o chefe da auditoria e o presidente do conselho da firma renunciaram, e a empresa confirmou o uso indevido de documentos internos por funcionários. Durante uma audiência parlamentar em Camberra, Deborah O'Neill, senadora do Partido Trabalhista e presidente da comissão, afirmou que mais pessoas vêm relatando condutas semelhantes. “Há muitos, muitos outros que estão entrando em contato conosco e relatando a repetição do mesmo comportamento”, disse O'Neill. A KPMG reconheceu que conduziu de forma inadequada a apuração da denúncia inicial e abriu uma quarta investigação interna, depois que as anteriores não encontraram evidências de irregularidades. ‘Temos que olhar para nossa cultura’ O recém-nomeado diretor-presidente, John Sams, disse à comissão que a empresa cometeu “falhas graves sobre as quais precisamos refletir, e não vou tentar defendê-las porque são indefensáveis”. “Não podemos recorrer ao argumento de que se trata de ‘algumas maçãs podres’. Precisamos, sem dúvida, olhar para a nossa cultura”, afirmou. O ex-presidente do conselho Martin Sheppard também confirmou informações publicadas pelo Australian Financial Review de que outro denunciante, que alegou irregularidades na divisão tributária da empresa, recebeu um acordo financeiro no fim de 2024. A audiência parlamentar, realizada ao longo de todo o dia, foi a segunda destinada a investigar como a empresa utilizou dados dos clientes Lendlease e Optus para disputar contratos com Westpac, Dexus e Telstra. Diversos sócios atuais e antigos da KPMG, além de clientes e advogados da empresa, foram convocados para prestar depoimento. A ex-sócia de auditoria Eileen Hoggett, apontada pelo denunciante como responsável por guardar documentos do conselho da Lendlease em seu armário, afirmou à comissão que não se lembrava de ter armazenado os arquivos e que não entendia por que foi expulsa da sociedade. Um e-mail de maio de 2023 apresentado à comissão mostrou que Hoggett autorizou um colega a consultar os documentos guardados em seu armário para ajudar na elaboração de uma proposta comercial. “‘Acho que podemos permitir confidencialmente que ele consulte a versão impressa no meu armário... ele precisa fazer isso com discrição, sem que muitas pessoas saibam’”, dizia o e-mail, lido por O'Neill. “É difícil acreditar que, se a senhora escreveu esse e-mail, tenha dificuldade para se lembrar do uso desse documento guardado em seu armário, ao qual sua assistente executiva estava concedendo acesso”, afirmou O'Neill. Hoggett respondeu: “Não há ninguém mais decepcionado comigo do que eu mesma”. Clientes reagem A Optus, controlada pela Singapore Telecommunications, cujos dados foram compartilhados com outra equipe interna da KPMG que disputava um contrato de auditoria da rival Telstra, classificou a conduta da empresa como uma violação “grave” e “flagrante” de seus deveres profissionais. “Eles precisam lembrar que são, antes de tudo, profissionais, e que as questões comerciais são secundárias em relação a essas responsabilidades profissionais”, afirmou o presidente do conselho da Optus, John Arthur. No Westpac, o diretor Peter Nash renunciou ao conselho de administração do banco devido aos seus vínculos com a firma de auditoria. Lawry também deixou o cargo após o Westpac solicitar sua substituição como principal auditora da instituição. O presidente do comitê de auditoria do Westpac, Michael Ullmer, afirmou na audiência que Nash não deveria ter entrado em contato com seus antigos colegas da KPMG durante o processo de seleção da empresa de auditoria. Sheppard já havia informado em uma audiência anterior que Nash ficou hospedado em sua casa durante o processo de apresentação de propostas, pois ambos eram amigos de longa data. O presidente do Macquarie Group, Glenn Stevens, afirmou que o banco de investimento australiano poderá reconsiderar a nomeação da KPMG como sua auditora. A KPMG foi escolhida em 2025, mas sua contratação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas do banco. O Macquarie solicitou à KPMG provas de que a empresa de auditoria não utilizou informações confidenciais de outros clientes de auditoria para conquistar o contrato com o banco, afirmou Stevens. Barbara Pocock, integrante da comissão e senadora do Partido Verde, afirmou em comunicado que a audiência revelou novas evidências da “cultura tóxica” da KPMG e reforçou a necessidade de reformas no setor. “Eles enganaram o Parlamento e o público, fornecendo gradualmente uma versão autopromocional e distorcida dos fatos, além de informações falsas.” Em julho, o governo divulgou um documento com opções de mudanças na estrutura e na regulamentação das quatro maiores empresas de auditoria da Austrália. A KPMG se opôs às medidas mais rigorosas em discussão, incluindo a separação das áreas de auditoria e consultoria e a imposição de limites ao número de sócios, segundo documento apresentado pela própria empresa. KPMG Australia — Foto: Bloomberg
KPMG Austrália enfrenta ‘muitas outras’ denúncias de irregularidades
Escândalo veio à tona em março, após denúncias feitas por um denunciante anônimo de que a KPMG teria usado informações confidenciais de clientes para disputar contratos de auditoria








