Sofás com o couro rasgado. Armários com a madeira apodrecida. Mesas com lascas no tampo. Estantes remendadas com esparadrapo. Bancos com os pés enferrujados.
Para um desavisado, peças como essas, que contam a história do móvel brasileiro no século 20, poderiam ter como destino a caçamba de lixo. Para os irmãos Teo e Lis Vilela Gomes, porém, são pequenos tesouros. As marcas do tempo mostram como esses móveis foram usados e, em muitos casos, preservam elementos que atestam sua autenticidade.
A dupla por trás da galeria Teo se dedica há quase 20 anos a encontrar, em heranças de família ou até mesmo em garagens de prédios, peças de mobiliário moderno que representam o que o design brasileiro produziu de melhor. Era uma época em que madeiras nobres, espécies hoje protegidas e fora do mercado, como o jacarandá, ainda serviam de matéria-prima para as manufaturas.
Com o tempo, Teo e Lis reuniram um acervo de 36 mil itens, entre móveis e objetos. A partir da próxima semana, grande parte deles poderá ser vista, no estado em que foi encontrada, num galpão que será inaugurado pela galeria no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo.
Enfileiradas e empilhadas em gigantescas estantes que vão do chão ao teto estão produções de Jean Gillon, Geraldo de Barros, Michel Arnoult e Estúdio Branco e Preto, além de outros tantos nomes que puseram o Brasil no mapa-múndi do design. Sérgio Rodrigues e Jorge Zalszupin, os recordistas de peças no acervo, ganharam andares só para eles.







