Relatório preliminar aponta que fragmentos de uma pá do motor atingiram a fuselagem; restos de aves foram encontrados no propulsor e quatro possíveis colisões com pássaros haviam sido registradas anteriormente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Janela se desprende em voo da Ryanair para a Alemanha, e homem quase é sugado para fora do avião — Foto: Reprodução Uma falha no motor de um Boeing 737-800 da Ryanair provocou a quebra de uma janela durante o voo e deixou um passageiro parcialmente sugado para fora da aeronave, segundo um relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês). O documento detalha, pela primeira vez, a sequência do incidente ocorrido em 10 de julho, durante um voo entre Thessaloniki, na Grécia, e Memmingen, na Alemanha. De acordo com o NTSB, uma pá do ventilador do motor direito se desprendeu durante a subida. Fragmentos do conjunto atingiram a fuselagem, quebraram uma janela e provocaram a despressurização da cabine. O voo foi então desviado de volta para o aeroporto de Thessaloniki, onde pousou normalmente. Havia 155 pessoas a bordo: dois pilotos, quatro comissários e 149 passageiros, incluindo uma criança de colo. Um passageiro sofreu ferimentos graves. O homem, um sérvio de 61 anos identificado como Ljubisa Karović, estava sentado na janela da fila 11 quando a estrutura foi danificada. Segundo o relato dos comissários aos investigadores, ele ficou parcialmente preso na abertura, com a cabeça e o ombro direito para fora da aeronave. Outros passageiros o puxaram de volta para dentro, incluindo a mulher de Karović. Ele sofreu ferimentos no pescoço e no ombro, além de queimaduras por atrito. Passageiros ajudaram homem até o pouso A tripulação relatou ter percebido uma forte vibração no motor durante a subida, por volta de 16 mil pés, ou cerca de 4.900 metros. Os pilotos reduziram a potência e seguiram o procedimento previsto para vibração elevada. Como a indicação diminuiu inicialmente, o avião continuou a subir com o piloto automático acionado. Evacuação em avião da Ryanair — Foto: Reprodução Pouco depois, porém, a vibração voltou a aumentar e foi seguida por um forte estrondo. Os pilotos declararam emergência e iniciaram a descida. Dentro da cabine, comissários relataram vibrações intensas e a presença de uma pequena quantidade de fumaça ou névoa antes da queda das máscaras de oxigênio. Após perceberem o passageiro parcialmente preso na janela, outros ocupantes conseguiram puxá-lo para o interior da cabine. Ele foi levado para a fileira 12, onde recebeu atendimento de um médico que estava a bordo. Passageiros também usaram uma caixa metálica fornecida pelos comissários para tentar bloquear a abertura até o pouso. Restos de aves são encontrados no motor A investigação ainda não determinou o que provocou a quebra da pá do motor. Os investigadores, no entanto, encontraram restos de aves dentro do propulsor, o que indica que a aeronave pode ter sofrido uma colisão com pássaros durante a decolagem. O histórico do avião também mostra quatro registros de possíveis colisões com aves envolvendo o mesmo motor no último ano. Em dois desses casos, foram encontrados restos de aves. O NTSB ainda vai analisar se esses episódios podem ter provocado danos anteriores que contribuíram para a falha. Svetlana Grkovic agarrou-se às pernas do marido, Ljubisa Karovic, enquanto ele era sugado para fora da janela de um avião da Ryanair — Foto: Redes Sociais As pás do motor haviam passado por inspeções ultrassônicas em novembro de 2025 e novamente em maio de 2026, sem que fossem identificados danos. Para Jeff Guzzetti, ex-investigador do NTSB e da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), os registros indicam que a manutenção prevista havia sido realizada dentro do cronograma, mas a investigação ainda deverá avaliar a forma como os exames foram conduzidos e se havia algum dano preexistente. A investigação foi originalmente conduzida pelas autoridades gregas, mas, em 16 de julho, a Hellenic Air and Railway Safety Investigation Authority (HARSIA) transferiu integralmente o caso para o NTSB. Boeing, FAA e GE Aerospace participam do trabalho, enquanto Safran Aircraft Engines, Malta Air e a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) atuam como assessores técnicos. Os gravadores de voz e de dados da aeronave foram enviados à sede do NTSB para análise. Modificações exigidas pela FAA ainda não haviam sido feitas O relatório também chama atenção para uma medida de segurança adotada nos Estados Unidos após acidentes semelhantes. Em 2025, a FAA determinou alterações em partes da carenagem dos motores dos Boeing 737 para reduzir o risco de componentes serem projetados contra a fuselagem em caso de quebra de uma pá do ventilador. Safra põe à venda avião 'very Vip' 1 de 5 Interior de avião do Safra posto à venda — Foto: Reprodução 2 de 5 Interior de avião do Safra posto à venda — Foto: Reprodução X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 Interior de avião do Safra posto à venda — Foto: Reprodução 4 de 5 Poltrona em avião do Safra posto à venda — Foto: Reprodução X de 5 Publicidade 5 de 5 Cama em avião do Safra à venda — Foto: Reprodução Aeronave tem suíte master e escritório As mudanças, que entraram em vigor em abril de 2025, incluem a substituição de alguns elementos de fixação e espaçadores, além de alterações nos programas de manutenção e inspeção. As companhias aéreas receberam prazo até julho de 2028 para concluir as principais modificações. Segundo o NTSB, o avião da Ryanair envolvido no incidente ainda não havia recebido essas alterações. A possibilidade de antecipar o prazo agora está entre os pontos que podem ser reavaliados pelas autoridades. A FAA afirmou que acompanha a investigação e que adotará as medidas de segurança consideradas necessárias com base nas evidências. O caso também ocorreu em meio a uma disputa pública entre o NTSB e o presidente-executivo da Ryanair, Michael O'Leary. Antes da divulgação do relatório, O'Leary havia sugerido que o problema poderia estar relacionado a danos provocados por objetos estranhos no motor. O NTSB o repreendeu e afirmou que os investigadores ainda não haviam descartado nenhuma hipótese e que o executivo não estava autorizado a comentar a investigação. A Ryanair informou que não fará novos comentários até a conclusão do trabalho do NTSB. A aeronave, entregue à companhia em 2008 e operada pela Malta Air, tinha capacidade para até 189 passageiros. O voo retornou a Thessaloniki cerca de uma hora após a decolagem e pousou normalmente.