O plano de governo do presidente Lula (PT) mudou a abordagem sobre o agronegócio em relação ao programa de 2022, quando o petista mirava voltar ao poder após o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na última disputa, o texto atrelava o agronegócio a ideias relacionadas à reforma agrária. Desta vez, porém, discorre sobre a importância do setor para a economia, ponto pouco explorado na proposta anterior.A mudança no tom ocorre após o Brasil ter sido alvo de um tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump, cobrança que hoje parte de uma base de 25%. A tarifa dos EUA chegou a ser de 50% no ano passado, e, após articulação do governo com o apoio determinante do agronegócio, foram abertas exceções a carne, café e suco de laranja.

"O agronegócio é fundamental para o desempenho de nossa balança comercial e para a evolução do PIB nacional. Para seu desenvolvimento é necessário políticas que integrem a eficiência produtiva à sustentabilidade ambiental e à inovação tecnológica. Adicionar valor à pauta exportadora é um desafio que precisamos avançar ainda mais, diminuindo de forma relativa a primarização das relações comerciais brasileiras", diz o texto atual.

Em 2022, a abordagem dava maior ênfase ao papel social do agronegócio. "O fortalecimento da produção agrícola, nas frentes da agricultura familiar, agricultura tradicional e do agronegócio sustentável, é estratégico para repensar o padrão de produção e consumo e a matriz produtiva nacional, com vistas a oferecer alimentação saudável para a população", dizia trecho.