Integrantes do PT avaliam que, por se tratar da última disputa eleitoral de Lula, plano pode introduzir medidas de longo alcance para futuras gestões Lula: equipe trabalha em plano de governo que combine políticas implementadas no atual mandato com propostas estruturantes, visando criar um legado — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo - 11/6/2026 O programa de governo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá combinar a consolidação de políticas do atual mandato com um conjunto de propostas estruturantes, vistas no PT como capazes de marcar um eventual quarto mandato e projetar um legado. Integrantes da legenda avaliam que, por se tratar da última disputa eleitoral de Lula, o plano pode introduzir medidas de longo alcance para futuras gestões. Leia mais: Entre as propostas em discussão estão a universalização da educação em tempo integral, a implementação da tarifa zero no transporte público, o aumento da tributação sobre camadas mais ricas e atualização da tabela do Imposto de Renda (IR). O documento ainda está em fase de elaboração pelo PT, que abriu espaço para participação de militantes, movimentos sociais e representantes da sociedade civil por meio de uma plataforma lançada em maio. As contribuições serão recebidas até terça-feira (30) e a expectativa é concluir uma primeira versão do texto até 15 de julho, levando à avaliação de Lula. A convenção para oficializar a candidatura está prevista para o dia 1º de agosto. A orientação nas discussões internas é evitar um programa baseado em promessas inéditas e concentrar esforços na continuidade de iniciativas do terceiro mandato, incorporando propostas que não avançaram ou que demandam prazo maior para implementação. A avaliação no partido é que um eventual quarto governo teria caráter mais estruturante, voltado à consolidação de reformas e políticas públicas capazes de deixar uma marca duradoura. 'Combate aos privilégios' Na área econômica, a estratégia passa por retomar um dos principais eixos do discurso eleitoral de 2022: o “combate aos privilégios”. Neste mandato, Lula estabeleceu a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A proposta em discussão prevê avançar na atualização da tabela do IR, combinada ao aumento da tributação sobre as faixas mais elevadas. A lógica é reforçar a narrativa de justiça tributária, ainda que o governo também sofra críticas devido à alta carga tributária já existente no país. Outra proposta considerada prioritária é a implementação da tarifa zero para o transporte público urbano, abrangendo ônibus e sistemas sobre trilhos, como metrôs e trens. O formato da iniciativa ainda está em elaboração e depende de estudos conduzidos em conjunto com a equipe econômica para definir um modelo de financiamento. A medida é vista pelo governo e pelo PT como capaz de produzir forte impacto social, e representaria um aceno tanto a movimentos sociais quanto ao empresariado de transportes do país. Como mostrou o Valor, no início do ano, atendendo a pedido de Lula, o agora ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad encomendou estudos preliminares que apontam custo superior a R$ 100 bilhões por ano para a gratuidade integral, válida todos os dias da semana em todo o país. Atualmente, esse custo está na casa dos R$ 75 bilhões - dos quais cerca de R$ 36 bilhões são pagos diretamente pelos usuários, R$ 27 bilhões vêm do vale-transporte custeado por empresas e trabalhadores, e aproximadamente R$ 12 bilhões correspondem a subsídios de Estados e municípios. Alguns economistas, no entanto, têm alertado que medidas lançadas pelo governo federal podem elevar a dívida pública e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central (BC). Desde o início do terceiro mandato de Lula, a dívida bruta do governo geral já subiu mais de oito pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), superando os 80% do PIB. Além disso, tanto governo quanto especialistas projetam que o indicador continuará em alta nos próximos anos. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou, após sua última reunião, que “estímulos” à atividade econômica, “em particular ao componente de consumo”, estão entre os riscos que podem fazer com que a inflação fique acima do projetado. Na educação, o partido pretende transformar em compromisso de governo a universalização da educação em tempo integral. A avaliação entre dirigentes petistas é que o governo conseguiu reconstruir parte das políticas educacionais e de saúde após os últimos anos, e que o próximo passo seria intensificar a implementação dessas iniciativas em escala nacional. Segurança pública Na segurança pública, área apontada como o “calcanhar de Aquiles” das gestões petistas, o plano deve reforçar o discurso de enfrentamento ao crime organizado por meio da inteligência policial e da asfixia financeira das organizações criminosas, além de defender maior integração entre União, Estados e municípios para o combate. O debate sobre o tema tem sido dominado por políticos de direita, em geral associados a discursos mais duros na área. Nos últimos meses, o presidente passou a concentrar esforços para estabelecer uma marca para sua gestão no campo. Também está em debate a criação de um Ministério da Segurança Pública independente do Ministério da Justiça. Embora Lula já tenha manifestado a intenção de separar as áreas, a medida vinha sendo condicionada à aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança. Diante das dificuldades para o avanço da proposta no Senado, integrantes do PT defendem que a criação da nova pasta passe a constar no plano de governo, sinalizando a intenção de reestruturar a política nacional de segurança em um eventual novo mandato. Lula já fez essa promessa na campanha de 2022. No cenário externo, o programa deve tratar sobre a defesa da soberania nacional, impulsionada por Lula após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ideia em discussão é abordar a potencialidade brasileira em minerais críticos e defender o estabelecimento de uma política clara em torno dos minérios, como a exploração das terras raras.
Plano de governo de Lula deve propor educação integral, tarifa zero e novas mudanças no Imposto de Renda
Integrantes do PT avaliam que, por se tratar da última disputa eleitoral de Lula, plano pode introduzir medidas de longo alcance para futuras gestões










