0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Varejo ampliado, que incluí venda de carros e materiais de construção acumula queda de 2,1% em quatro meses — Foto: Marcelo Theobald Enquanto as vendas no comércio avançaram 0,5% em junho, na comparação com maio, o varejo ampliado — que inclui veículos automotores, materiais de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, segmentos mais sensíveis às condições de crédito — recuou 1,0%. Foi o quarto mês consecutivo de queda, com perda acumulada de 2,1%, refletindo um cenário de juros elevados. Na avaliação de Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, o resultado da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, analisado em conjunto com os demais indicadores divulgados até o momento, aponta para uma desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre deste ano. — Olhando os dados divulgados pelo IBGE hoje, o comércio varejista ampliado cai pelo quarto mês consecutivo, o que indica uma provável desaceleração do consumo das famílias no PIB do segundo trimestre, dada a estreita relação entre essas duas variáveis. Como curiosidade, as altas de itens ligados à Copa do Mundo, como camisas de seleções e figurinhas, que impulsionaram os grupos “Tecidos, vestuário e calçados” e “Livros, jornais, revistas e papelaria” em maio — com altas de 3,2% e 16,1%, respectivamente —, puxaram para baixo o resultado de junho, com quedas de 2,6% e 9,9%, respectivamente — pontua Leal. O mercado de trabalho em seu melhor nível histórico e o crescimento da renda, aliados aos programas de transferência do governo, ajudam a explicar o resultado ainda positivo do comércio, diz o professor de economia do Insper, Ulisses Ruiz de Gamboa. Segundo ele, os dados da PMC mostram que o setor vem sendo sustentado pelo comércio de itens básicos. O segmento de supermercados foi o principal responsável pela alta em junho. Também ficaram no campo positivo os artigos pessoais e domésticos e os produtos farmacêuticos. — Endividado, o consumidor está mais cauteloso. Renato Veloni, professor de economia do Ibmec, também vê nos dados da PMC um consumidor mais seletivo. E destaca que apesar do resultado de segmentos como eletrodomésticos e veículos manterem resultados positivos no acumulado do ano, o valor nominal está em queda. — Isso pode significar que as pessoas estão, por exemplo, comprando modelos mais baratos de carros, mas também pode refletir uma concorrência muito grande e uma oferta de carros, principalmente chineses, com preços mais baixos. O crescimento em volume dos eletrodomésticos é de 6,1% no acumulado deste ano, mas o setor está faturando menos em termos reais. Isso indica uma perda do tíquete médio dos eletrodomésticos. Mais uma vez, ou estão comprando os mesmos produtos com descontos mais agressivos, ou a população pode estar trocando, em vez de comprar aquela geladeira top opta por uma mediana; e quem comprava uma geladeira mediana decide por uma mais simples. A gente percebe um consumidor bastante seletivo e atento aos preços — ressalta o economista.