Durante décadas, a sucessão de uma empresa familiar no Brasil esteve associada à transferência do negócio para os filhos. Esse modelo, porém, enfrenta uma mudança: parte da nova geração não pretende assumir a operação construída pelos pais. Em vez disso, os herdeiros podem seguir carreiras próprias, empreender em outros setores ou atuar fora da empresa da família.
O efeito dessa mudança pode aparecer no mercado de fusões e aquisições. Quando não existe um sucessor disposto a assumir o comando, a venda para um investidor, fundo ou grupo estratégico passa a ser uma alternativa à transferência do controle dentro da família.
A tese é defendida pela Helping Hand, consultoria que atua em valuation, preparação para venda de empresas e M&A. Para Lucas Mendes, CEO da companhia, o movimento pode alterar a composição do mercado de compradores de empresas brasileiras nos próximos anos.
“O maior risco para muitas empresas brasileiras não será uma crise econômica, mas a ausência de sucessores. Durante décadas, acreditou-se que os filhos naturalmente assumiriam os negócios da família. Hoje essa lógica mudou. Muitos herdeiros têm outros projetos de vida, seguem carreiras próprias ou simplesmente não desejam administrar uma empresa operacional. Quando isso acontece, vender o negócio deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.”








