Estoques parados de roupas somam bilhões em capital imobilizado no varejo de moda, e parte desse dinheiro começa a voltar ao caixa das empresas por outro caminho: a revenda, a recompra e o aluguel de peças usadas. O que antes era tratado como pauta de sustentabilidade virou linha de receita, e a circularidade passa a compor o planejamento financeiro de marcas que antes só pensavam em produzir mais.
Até pouco tempo, sobras de coleção e devoluções eram encaradas como perda. Hoje, esse mesmo estoque é reclassificado como ativo. Para Leonardo Mencarini, especialista em moda circular, “peças paradas em estoques, devoluções e produtos usados representam ativos com potencial econômico”, e deixaram de ser vistos como prejuízo automático.
Essa leitura acompanha uma mudança de comportamento do consumidor. Cada vez mais pessoas priorizam compras conscientes, valorizam produtos com maior ciclo de vida e demonstram interesse por revenda, recompra, aluguel e recondicionamento de peças. A compra deixa de estar ligada só ao item novo e passa a considerar durabilidade, impacto ambiental e custo-benefício.
Enquanto isso, o varejo lida com excesso de produção. Estoques elevados imobilizam capital, elevam custos logísticos e pressionam margens. A circularidade aparece como resposta que une sustentabilidade e eficiência financeira sem depender só de liquidação.









