A cobrança de impostos para o transporte de lixo têxtil não estimula a indústria da moda a reaproveitar resíduos, diz Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee, empresa de Santa Catarina.

"Hoje, a legislação não ajuda para que a gente possa ter circularidade a favor da cadeia", afirma à Folha. "Teria que ter um ambiente regulatório mais favorável para a gente se animar mais ainda para colocar isso em prática e em escala."

No setor fashion, a economia circular transforma uma roupa descartada em um novo produto, o que ajuda a reduzir o impacto ambiental das indústrias. O modelo ainda engatinha no Brasil, e o país reaproveita apenas 1,3% do material que consome, de acordo com o relatório Circularity Gap Report.

Segundo o Grupo Malwee, de 3% a 5% do custo de peças feitas com fibras recicladas vão para pagar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) durante o transporte de lixo têxtil para a produção de peças recicladas.

O cenário fez a empresa diminuir a margem de lucro na venda de moletons da coleção Fio do Futuro, fabricados a partir de roupas em péssimo estado de conservação que foram doadas à Cruz Vermelha e iriam para aterros sanitários.