Com participações de Joana Fomm e Hildegard Angel, espetáculo de Eduardo Barata também faz homenagem ao Pará com referência ao Círio de Nazaré e músicas de Dona Onete e Joelma 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 À frente: Joana Fomm, Maria Pompeu e Hildegard Angel. De pé: Mariah da Penha, Ítala Nandi, Bete Mendes, Veluma e Ivone Hoffmann — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo As atrizes Bete Mendes, Ítala Nandi, Ivone Hoffmann, Maria Pompeu, Mariah da Penha e a modelo Veluma são vizinhas num condomínio em Copacabana — onde já moraram também a atriz Joana Fomm e a jornalista Hildegard Angel. Este é o ponto de partida do musical “As Marias de Belém do Pará – Somos todos Marias”, que estreia sexta (14) no Teatro Sesc Ginástico (e faz ensaio aberto gratuito quinta, 13, com distribuição de ingressos às 18h, na bilheteria). Escrita e dirigida por Eduardo Barata, a peça celebra o legado das artistas, todas na casa dos 60 aos 80 anos, e também presta homenagem ao estado nortista, de onde vieram os avôs paterno e materno do autor. Completam a encenação um elenco de 26 pessoas, incluindo o grupo musical Carimbaby. — Cresci vendo essas mulheres no teatro, e cada uma delas é uma grande referência. Bete (77 anos) foi namoradinha do Brasil e presa política ao mesmo tempo. Ivone (86) talvez tenha sido a atriz que mais vi no teatro, e é premiadíssima. Ítala (84) tem uma ligação muito grande com o Oficina e fez o primeiro nu do teatro nacional, em pleno AI-5. Mariah (67) é uma atriz maravilhosa, que surgiu do teatro de rua. Veluma (73) foi a primeira manequim negra a desfilar sem alisar o cabelo. E Maria (89) começou a carreira na era de ouro da rádio — enumera o diretor. Com as cortinas fechadas, um grupo de atores e músicos com figurinos coloridos cantam entre a plateia, uma referência à procissão do Círio de Nazaré, a maior festa popular e religiosa de Belém. Em seguida são reveladas, por detrás de um grande manto do Círio, cinco das personagens principais — Ítala, Ivone, Maria, Mariah e Veluma —, que se apresentam ao público cantando “Ave Maria”. Todas com o primeiro nome Maria, elas têm o momento religioso interrompido por Maria Bete, síndica do Condomínio Galharufa, que as convoca para uma reunião de moradores. Cena do musical 'As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias' — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo Na pauta, reclamações sobre o barulho das Marias, que vivem “inventando moda”, e uma discussão sobre como deve ser usado um espaço comum ocioso. Entre implicâncias e memórias, as seis começam a vislumbrar sonhos conjuntos: montar uma peça e ir ao Círio de Nazaré. A partir daí, começa uma jornada que mistura festas populares, fé, cultura e imaginação, embalada por canções paraenses que vão de “No meio do Pitiú”, de Dona Onete, a “Voando pro Pará”, de Joelma. No meio disso tudo, as Marias ainda recebem a visita de uma antiga vizinha por sessão: Joana Fomm e Hildegard Angel, que se alternam fazendo uma participação especial em que têm suas carreiras celebradas. — Joana (86) representa o que não quero que aconteça para as atrizes brasileiras que passam dos 80 anos. Ela foi uma das mulheres que mais participou da construção do audiovisual brasileiro, fez 46 novelas, mas hoje não tem uma aposentadoria digna. Já a Hilde (76), que foi atriz e hoje é reconhecida no jornalismo, representa um momento que não quero que volte para a História do país. Ela encarna a luta pela preservação da memória do irmão, da mãe e dos outros assassinados pela ditadura. São duas memórias vivas — explica Barata. Prestes a completar 90 anos, Maria Pompeu já se considerava aposentada há uma década quando surgiu o convite. — A primeira coisa que eu disse foi: “Não”. Dizia que não tenho mais idade para isso, e confesso que estou sofrendo um pouco. Depois pensei: “Puxa, uma pessoa de 89 anos ser convidada para fazer uma peça é um milagre. Tenho que enfrentar”. E estou enfrentando — conta a atriz, que precisa de ajuda para ficar de pé e ouve pouco, contando com o apoio dos colegas do coro, que funcionam como pontos vivos para todo o elenco. Uma das grandes motivações das veteranas para participar foi a possibilidade de homenagear colegas e mestres que mudaram suas histórias e a do teatro brasileiro. Além de relembrarem as próprias trajetórias, as personagens-atrizes reviram uma caixa de memórias de onde saem retratos e lembranças de nomes como Eva Vilma, Zé Celso, Amir Haddad, Elke Maravilha e Augusto Boal. Cada Maria apresenta algumas de suas galharufas, ritual de iniciação teatral que batiza o condomínio fictício. Bete Mendes segura foto de Eva Vilma em cena de 'As Marias de Belém do Pará — Somos todos Marias' — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo — Eva Vilma me deu um enorme presente: meu primeiro trabalho, uma participação numa peça do Antunes Filho. Ela me aprovou como atriz, então eu estava no palco para valer. Isso é uma galharufa. Não precisa ser um objeto, é um presente simbólico que recebemos de um ator mais experiente — diz Bete Mendes. Para Veluma, que vem das passarelas, a própria montagem ganha esse valor: — Vai ser minha primeira galharufa. Partindo de uma vontade do diretor de homenagear suas raízes, a cultura paraense está presente em cada parte do espetáculo, do texto ao elenco, que inclui sua filha, a atriz Duda Barata. Com Cesar Werneck, ela interpreta a dupla de netos da síndica, que dão o toque intergeracional à montagem. Fazendo uma ponte entre o elenco sênior e o coro, os atores ajudam a guiar a viagem das Marias pelo universo paraense, que culmina numa celebração do Círio de Nazaré, com direito a figurinos coloridíssimos e números que misturam carimbó, lambada e lundu. Para as veteranas, trazer o estado nortista para o centro da narrativa é um dos maiores ganhos da peça, que elas sonham um dia poderem apresentar por lá. Por hora, Ivone garante que os cariocas vão se encantar: — A beleza cenográfica, a música, os figurinos pensados pelo talento do Eduardo Barata vão promover uma viagem do público pelo Norte do Brasil. Vão conhecer Belém e aquele povo, que é tão igual e ao mesmo tempo tão diferente de nós que moramos no Sudeste. Serviço Onde: Teatro Sesc Ginástico, Centro. Quando: 14 de agosto a 13 de setembro.Que horas: Qui e sex, às 19h. Sáb e dom, às 17h. Quanto: R$ 50 (qui e sex) e R$ 60 (sáb e dom). Quinta (13), ensaio gratuito, com distribuição de ingressos às 18h.Classificação: 12 anos.
Veteranas do palco, Bete Mendes, Ítala Nandi, Ivone Hoffmann, Maria Pompeu, Mariah da Penha e Veluma estrelam musical no Rio
Com participações de Joana Fomm e Hildegard Angel, espetáculo de Eduardo Barata também faz homenagem ao Pará com referência ao Círio de Nazaré e músicas de Dona Onete e Joelma






