Evento ocupa os teatros Riachuelo e TotalEnergies com espetáculos inéditos e aclamados; programação tem ainda Débora Lamm, Malu Galli, Fábio Porchat e estreantes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 2º Festival de Teatro do Rio: Marco Nanini, Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Debora Lamm e Malu Galli são destaque da programação — Foto: Annelize Tozetto/Miro/Catarina Ribeiro/Rodrigo Menezes/João Pacca “Sempre pensei que faria Beckett em algum momento”, diz Marco Nanini sobre “Fim de partida”, clássico do autor irlandês cuja estreia carioca ocorre no Festival de Teatro do Rio, que começou ontem. Um dos destaques da segunda edição do evento, a peça dirigida por Rodrigo Portella, que conta ainda com Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, acompanha a relação interdependente entre dois homens no pós-guerra. Outra novidade aguardada do evento é “Rita Lee: balada da louca”, solo com Lilia Cabral inspirado na segunda autobiografia da cantora e também inédito na cidade. Após uma primeira edição com sessões esgotadas em minutos, o evento ocupa os teatros Riachuelo e TotalEnergies por duas semanas com 20 espetáculos, além de oficinas e palestras gratuitas. A programação reúne os vencedores do prêmio Shell “(Um) ensaio sobre a cegueira”, do Grupo Galpão, e “O motociclista no globo da morte”, com Eduardo Moscovis; a adaptação do best-seller “A pediatra”, com Debora Lamm e Luis Antonio Fortes; “Mulher em fuga”, com Malu Galli e Tiago Martelli, inspirada em Édouard Louis; entre outros que lotaram as casas cariocas. Eduardo Moscovis em cena de 'O motociclista no globo da morte', em cartaz no Rio — Foto: Divulgação/Catarina Ribeiro — O mote do festival é juntar as peças que fizeram o maior sucesso do ano. Tem gente que não conseguiu ver nas temporadas anteriores e ainda quem quer ver de novo — diz Aniela Jordan, diretora artística da Aventura, produtora do evento. Novidade da edição, a mostra Nova Cena apresenta trabalhos de jovens talentos com ingressos a R$ 50. Na seleção, destacam-se solos como “1 peça cansada”, de Natascha Corbelino, e “O dinossauro de plástico”, de Rafael Saraiva; além da peça “O buraco”, que faz ensaio aberto gratuito. — Tive a sorte de assistir a todos os espetáculos, que têm diversidade de linguagens. A nova geração tem a missão de produzir novidades, e acho que isso está sendo muito bem-feito pelo grupo que está representando a Nova Cena — opina Rafael Saraiva, que trata dos dilemas da geração Z hiperconectada na sua peça. Rafael Saraiva em cena de "O dinossauro de plástico" — Foto: Divulgação/Julieta Sobral Este ano, o evento, que tem curadoria de Maria Siman, terá um homenageado, Aderbal Freire-Filho (1941-2023), que será tema de mesa de debate e exibição de “Além Hamlet”, doc de Sandra Delgado com bastidores da montagem de 2008 (Teatro TotalEnergies; seg, 3, às 19h, com inscrição gratuita on-line). O crème de la crème Com três trabalhos na programação, dois deles premiados, Rodrigo Portella assina a direção de alguns dos maiores destaques da mostra principal: “(Um) ensaio sobre a cegueira”, “Fim de partida” (respectivamente os espetáculos de abertura e de encerramento) e “O motociclista no globo da morte”. Das adaptações de Saramago e de Beckett ao texto original de Leonardo Netto, as três tramas tratam de situações-limite que propõem reflexões sobre violência, civilidade, sofrimento individual e colapso coletivo. — Penso que talvez meu papel como artista seja falar dos males para curá-los — reflete o diretor, que chegou a se incomodar com o niilismo excessivo do clássico beckettiano. — Eu gosto de ver perspectivas e de apontá-las para o público, então entrei em conflito no primeiro momento, mas o Guilherme Weber me convenceu a apresentar a obra para as novas gerações. Meu objetivo é deixar o texto transparente para o público. Enclausurados num cenário-caixa, Hamm (Nanini) e Clov (Weber) vivem uma interdependência física e emocional. Cego e numa cadeira de rodas, o mais velho é o amo, e, Clov, seu serviçal. Para Nanini, o texto, nascido da depressão do pós-guerra, ecoa dinâmicas atuais: Guilherme Weber e Marco Nanini em "Fim de partida", de Beckett — Foto: Annelize Tozetto — Existe uma relação de dominação ali que faz um paralelo com muitas das relações de exploração que encontramos no mundo hoje. Vemos relações desiguais, exploração, genocídios, bombardeios, o crescimento do conservadorismo... Da Europa, o espectador se volta para a trajetória de uma ídola nacional em “Rita Lee: balada da louca”, de Guilherme Samora, com base no livro “Rita Lee: outra autobiografia”. Narrando os últimos cinco anos da cantora, a peça equilibra a personalidade autêntica e brincalhona de Rita com o tema da finitude. — Na “Outra biografia” é como se ela tivesse uma balança. Dá chance de as pessoas sofrerem, mas também de entenderem a partir da ironia. Não deixa de mostrar o quanto é dolorido, mas não coloca uma falta de esperança. Para representar essa balança, transformamos o lado estético da peça em coisas lúdicas. O pulmão, por exemplo, virou um acordeon de criança — conta Lilia. Cena aquecida Assim como em 2025, várias sessões do festival parecem esgotadas no Ingresso.com, mas o público ainda tem chance de garantir entradas: meia hora antes de cada sessão será vendida na bilheteria uma pequena cota de ingressos. Também há chance de que peças disputadas ganhem sessões extras. O evento já tem edições confirmadas para 2027 e 2028 no Rio, e, este ano, uma primeira em São Paulo. Na capital fluminense, a próxima edição já tem novidade: uma mostra para crianças. — É com o teatro infantil que formamos o público de amanhã — sintetiza Aniela. Programação completa Primeira semana (30 de julho a 5 de agosto) ‘(Um) ensaio sobre a cegueira’. Do Grupo Galpão, com direção de Rodrigo Portella. Teatro Riachuelo, Passeio. Qui e sex, às 20h. De R$ 50 a R$ 190. 16 anos.‘Como um palhaço – Like a Clown’. Com Helena Bittencourt e Goos Meeuwsen. Teatro TotalEnergies, Glória. Qui e sex, às 20h. De R$ 50 a R$ 120. 10 anos.‘Um sim à vida’. Com Viviane Mosé. Teatro Riachuelo. Sáb, às 20h. De R$ 50 a R$ 120. 12 anos.‘Negra Palavra – A poesia do samba’. Do Complexo Negra Palavra. Teatro TotalEnergies. Sáb, às 20h. De R$ 50 a R$ 80. 12 anos.‘Na quinta dor’. Com Dora Assis. Teatro TotalEnergies. Sáb, às 19h. R$ 50. 10 anos.‘A menina escorrendo pelos olhos da mãe’. Com Guida Vianna e Silva Buarque. Teatro Riachuelo. Dom, às 19h. De R$ 50 a R$ 140. 14 anos.‘Ideias para adiar o fim do mundo’. Inspirado na obra de Ailton Krenak. Teatro TotalEnergies. Dom, às 18h. De R$ 50 a R$ 80. 12 anos.‘Meu corpo está aqui’. Com Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes. Teatro TotalEnergies. Ter, às 20h. De R$ 50 a R$ 120. 16 anos.‘Rita Lee: balada da louca’. Com Lilia Cabral. Teatro Riachuelo. Ter e qua, às 20h. De R$ 50 a R$ 190. Livre.‘O motociclista no globo da morte’. Com Eduardo Moscovis. Teatro TotalEnergies. Qua, às 18h e às 20h. Dia 6, às 20h. De R$ 50 a R$ 160. 14 anos. Cena do espetáculo "Negra palavra — Poesia do samba" — Foto: Divulgação/Wagner Cria Segunda semana (6 a 12 de agosto) ‘Mulher em fuga’. Com Malu Galli e Tiago Martelli, inspirada em Édouard Louis. Teatro Riachuelo, Centro. Dia 7 de agosto (sex), às 20h. De R$ 50 a R$ 170. Livre.‘Histórias do Porchat’. Stand-up de Fábio Porchat. Teatro Riachuelo, Centro. Dia 8 de agosto (sáb), às 20h30. De R$ 50 a R$ 190. 14 anos. ‘O dinossauro de plástico’. Com Rafael Saraiva. Teatro TotalEnergies, Glória. Dia 8 de agosto (sáb), às 20h30 e às 22h. R$ 50. 12 anos. ‘Deserto’. Da Polifônica Cia., com Renato Livera. Teatro TotalEnergies, Glória. Dias 8 e 9 de agosto (sex e sáb), às 20h. De R$ 50 a R$ 120. 16 anos. ‘A Pediatra’. Com Debora Lamm e Luis Antonio Fortes, baseado no best-seller de Andrea Del Fuego. Teatro Riachuelo, Centro. Dia 9 de agosto (dom), às 18h. De R$ 50 a R$ 150. 12 anos. ‘Aqueles que deixam Omelas’. Com João Pedro Zappa. Teatro TotalEnergies, Glória. Dia 9 de agosto (dom), às 18h30. R$ 50. Livre. Fábio Porchat: “Histórias do Porchat” fará temporada de três meses na Barra — Foto: Divulgação/Juliana Nunes Terceira semana (13 a 16 de agosto) ‘Fim de partida’. Com Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. Teatro TotalEnergies, Glória. De 13 a 16 de agosto (qui a sáb, às 20h; dom, às 18h). De R$ 50 a R$ 160. 16 anos. ‘O buraco’. Da Penúltima Cia. de Teatro. Teatro TotalEnergies, Glória. Dias 13 e 14 de agosto (qui e sex), às 20h30. Grátis, com ingressos liberados às 18h30 do dia da apresentação. 14 anos. ‘1 peça cansada’. Com Natascha Corbelino. Teatro TotalEnergies, Glória. Dia 15 de agosto (sáb), às 18h30 e 20h30. R$ 50. 10 anos.