Com mistura de gerações e estilos, festival vai da MPB ao rock e do forró ao rap com shows comemorativos de Paralamas do Sucesso e Fresno, homenagem a Belchior e mais; veja a programação completa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caetano Veloso com Emicida e Maria Bethânia com Paulinho da Viola: encontros no Doce Maravilha 2026 — Foto: Fernando Yooung/Enio Cesar/Divulgação O grande barato de pensar a programação do Doce Maravilha, para Nelson Motta (curador do evento desde a 1ª edição, em 2023), é juntar “artistas que batem no coração e na cabeça”. Para este ano, no Jockey, encontros como os de Paulinho da Viola com Maria Bethânia e de Caetano Veloso com Emicida se misturam a shows comemorativos, como Os Paralamas do Sucesso com os 40 anos de “Selvagem?” e o tributo a Belchior com Chico Chico e Juliana Linhares. — A música brasileira vive um grande momento, com novos artistas de qualidade e as velhas gerações em plena produtividade — enfatiza o curador. — Os encontros, quanto mais inusitados melhor, permitem shows grandiosos, no padrão de Ney Matogrosso com Marisa Monte (em 2025). A festa começa amanhã, com um line-up dedicado ao rock nacional dos anos 1990 e 2000. Para a alegria dos fãs, o Fresno fecha a noite com um show inédito em celebração aos dez anos de “A sinfonia de tudo que há”, com a Nova Orquestra. O trabalho, na época, “não foi unanimidade”, admite o vocalista Lucas Silveira: — Foi nesse disco que percebemos que éramos capazes de abrir o horizonte (musical). Incorporamos orquestra e arranjos mais elevados e levamos isso à última consequência. Na época, os fãs não entenderam, mas esse disco ganhou, com o tempo, uma dimensão que hoje praticamente nos obriga, com felicidade, a revisitá-lo. Fresno: 10 anos de “A sinfonia de tudo que há”, com a Nova Orquestra — Foto: Camila Cornelsen Sobre os headliners de sábado e domingo (Paulinho & Bethânia e Caetano & Emicida, respectivamente), Motta enfatiza que são encontros “pesos pesadíssimos” capazes de “derrubar qualquer palco”. — O primeiro é, na verdade, um reencontro. A ideia surgiu do filme “Saravah” (1969), com Bethânia e Paulinho novinhos, gatos e cantando juntos. Esse encontro vai se repetir 50 anos depois, com os dois estrelas monumentais da música brasileira — conta o curador. — E o segundo é especial pelo contraste de gerações, culturas e estilos e, ao mesmo tempo, pela confluência de uma grande atuação além-música na vida política e nas questões brasileiras. Paulinho da Viola e Maria Bethânia: juntos no palco do Doce Maravilha no sábado — Foto: Divulgação Antes, sábado, o festival recebe outros dois amigos: com a potiguar Juliana Linhares, o carioca Chico Chico celebra a força e a atualidade da obra de Belchior, autor de clássicos como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Sujeito de sorte”. — Belchior nunca escreveu para confortar ninguém. Ele escrevia para inquietar, e é isso que faz com que a obra dele siga tão viva: as perguntas que ele fazia ainda estão abertas — afirma Juliana. Para o parceiro de palco, essa permanência passa pela combinação entre crítica social e temas universais: — Suas letras ainda dialogam com o presente, mas também falam de dilemas inerentes a qualquer pessoa — diz Chico Chico. Chico Chico e Juliana Linhares: tributo a Belchior, no sábado — Foto: Michelle Castilho/Elisa Mendes No mesmo dia, o Cortejo Afro traz a Bahia para os pés do Corcovado. O grupo, que movimenta o pré-carnaval de Salvador, receberá Luedji Luna e Margareth Menezes. — O Rio e a Bahia se conectam, sobretudo, a partir da origem do tambor e da forte veia percussiva. E, apesar de sermos do samba reggae, bebemos na fonte da cultura do Rio. Não à toa abrimos os shows com “Sorriso negro” (hit na voz de Dona Ivone Lara) — afirma o presidente do grupo, Rogério Alves, que acredita na cultura para fazer frente à intolerância religiosa. — Nossa bandeira é a partir da música. O rock volta ao Jockey no domingo, com Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, Os Paralamas do Sucesso. “Alagados”, “Teerã”, “Selvagem” e mais músicas que poderiam ter sido escritas esta semana vão ganhar o coro de diversas gerações, quatro décadas depois. — Ainda tropeçamos em questões que estão aí desde a redemocratização. De repente, a caretice e o sentimento de retrocesso voltaram com força — analisa Barone. — Desde sempre, nossa questão foi colocar no trabalho as mazelas do Brasil. Bi Ribeiro (à esq.), Herbert Vianna e João Barone, os Paralamas do Sucesso: 40 anos de "Selvagem", no domingo — Foto: Leo Martins O baterista acredita na força de transformação da arte: — Nenhum artista é obrigado a ter posicionamento político, mas a arte pode ser entretenimento e uma forma de conscientização ao mesmo tempo. Os Paralamas têm baladas de amor maravilhosas e letras que falam da realidade do Brasil. E o que esperar as próximas edições do festival? Nelson Motta tem sonhos não realizados — “ainda”, ele enfatiza: Tim Bernardes com orquestra; e Anitta cantando Carmen Miranda. Serviço Onde: Jockey Club Brasileiro. Praça Santos Dumont 31, Gávea. Quando: Sex, às 17h. Sáb e dom, às 14h. Quanto: De R$ 218,40 (2ºlote solidário, sex) a R$ 286,65 (2ºlote solidário, sáb e dom); passaporte: R$ 515,97 (2ºlote, sáb e dom). Classificação: 16 anos. Doce Maravilha volta ao Jockey Club, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro — Foto: Diego Padilha/Divulgação Veja a programação completa: SEXTA-FEIRA Palco Bradesco. 18h25: Dibob: 25 anos convida Danilo Cutrim, Vitor Isensee, Diego Miranda e Dedé Teicher. 19h35: Raimundos convida Charlie Brown Jr. (Thiago Castanho e Marcão Britto). 21h: Fresno: 10 anos de “A sinfonia de tudo que há”, com Nova Orquestra SÁBADO Palco Corona. 16h50: Cortejo Afro convida Luedji Luna e Margareth Menezes. 19h: Paulinho da Viola convida Maria Bethânia. 20h15: Nelson Motta e Lou Cascudo apresentam: Noites Tropicais DJ Set. 20h50: Bloco do Silva. Palco Bradesco. 14h35: Amanda Magalhães. 15h45: Chico Chico celebra Belchior com Juliana Linhares. 17h55: Leci Brandão e Rappin’ Hood DOMINGO Palco Corona. 16h50: Falamansa convida Ruan Vitor Vaqueirinho. 19h: Os Paralamas do Sucesso: 40 anos de “Selvagem?”. 20h15: Nelson Motta e Lou Cascudo apresentam: Noites Tropicais DJ Set.20h50: Caetano Veloso convida Emicida. Palco Bradesco. 14h35: Nova Orquestra toca “Bloco do eu sozinho”. 15h45: Academia da Berlinda: 10 anos de “Nada sem ela” com Louise. 17h55: Sandra Sá: 40 anos de “Sandra Sá” (1986)
Doce Maravilha volta ao Jockey com Caetano Veloso e Emicida, Bethânia e Paulinho da Viola e mais encontros inéditos
Com mistura de gerações e estilos, festival vai da MPB ao rock e do forró ao rap com shows comemorativos de Paralamas do Sucesso e Fresno, homenagem a Belchior e mais; veja a programação completa







