A pesquisa também mostra que o setor associa o avanço das stablecoins a exigências maiores de lastro e transparência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Representações de tokens de stablecoins — Foto: CoinWire Japan/Unsplash Bancos e prestadoras de serviços de ativos virtuais, as chamadas VASPs, veem as stablecoins no Brasil mais como infraestrutura para câmbio, transações internacionais e uso corporativo como meio de pagamento de varejo, segundo pesquisa da KPMG em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto). O levantamento foi feito entre 12 de janeiro e 8 de junho de 2026 com executivos de bancos e VASPs. A amostra foi composta por 70% de empresas cripto e 30% de instituições bancárias. Entre os participantes, 80% disseram que já emitem uma stablecoin, enquanto 20% afirmaram que pretendem emitir. O estudo não identifica as instituições participantes nem informa o número absoluto de entrevistados. Para 33% dos entrevistados, a principal proposta de uma stablecoin deve ser atender transações internacionais. Outros 20% apontaram integração com serviços financeiros digitais, e 20%, liquidez para empresas. Pagamentos aparecem com 13% das respostas. Na divisão por público-alvo, empresas lideram, com 34% das respostas. Instituições financeiras, consumidores em geral e comerciantes ou prestadores de serviços aparecem empatados, com 22% cada. O foco em câmbio e uso corporativo também aparece nas projeções para o setor. Quando questionados sobre o papel das stablecoins no futuro do sistema financeiro brasileiro, 50% dos participantes citaram infraestrutura para pagamentos e câmbio internacional. Outros 30% apontaram o uso como moeda de liquidação da tokenização de ativos, enquanto 20% indicaram uma adoção sobretudo institucional. A pesquisa também mostra que o setor associa o avanço das stablecoins a exigências maiores de lastro e transparência. Para 67% dos entrevistados, o modelo ideal de emissão deve ter lastro composto 100% por reservas em dinheiro ou títulos públicos. A defesa de auditorias independentes sobre os ativos mantidos como lastro foi unânime. Para 70%, o principal indicador de transparência é a divulgação regular de relatórios de reservas, com composição, liquidez e localização dos ativos. “O consenso sobre a auditoria não nos surpreende quando falamos em segurança das reservas. Rigor de auditoria e lastro de qualidade não são entraves à inovação, mas a base de confiança que sustenta esse mercado”, afirma Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto.